"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

BitchyList

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Não Estou Lá!!!!!!

Cine-biografias normais te dão, num tempo de no mínimo 90 minutos, o máximo de informações sobre a vida do biografado; aí você termina o filme se sentindo um expert sobre ele, sua vida e seu trabalho. As três últimas que me lembro ter assistido [Ray, Johnny e June e Piaf], apesar de diferentes uma da outra, são exatamente desse jeito e, então, eu posso dizer que cine-biografias, particularmente de estrelas do mundo musical, não são minhas colheres de chá.
Até o momento em que meus olhos e mente viram Não Estou Lá [2002] de Todd Haynes. Sempre que penso nele, sinto a incrível sensação de ter sido jogado num mundo sobre o qual eu não sabia nada, e pior, sair de lá sabendo menos ainda!!
Explicarei: quando vi "Ray" e "La Vie En Rose", eu já adorava as músicas de Ray Charles e Edith Piaf e tinha uma certa informação sobre suas vidas, e quando vi "Johnny e June" não sabia de nada sobre Johnny Cash [exceto que ele havia morrido há pouco e que cantou uma canção de 9 Inch Nails] e June Carter, mas quando os filmes acabaram, não tive um pingo de vontade desaber mais sobre suas vidas, ou outros pontos de vistas sobre elas, a única coisa que fiz foi baixas a trilha de "Johnny", ainda assim, baixei as reinterpretações de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon das músicas de Cash.
Quando "Não Estou Lá" terminou eu não tinha palavras, porque eu não sabia como lidar com o que vi! A única coisa que sabia é que queria desesperadamente baixar tudo de Dylan que surgisse na minha frente. Senti que ao invés de nos contar contos da vida de Dylan, com a suposta certeza de que eles são fatos, o filme de Haynes parece mais seus sentimentos e reflexões sobre a obra de Dylan, do que encenações de uma vida. Desta forma, tenho certeza que que devo assistí-lo de novo várias vezes, enquanto estudo e descubro mais do trabalho de Bob, pelo próprio Bob.
Mas enquanto os pensamentos continuam, me pergunto se não seria essa a melhor forma de registrar em celulóide a vida de um artista? Através de seus trabalhos; a não ser que o próprio artista escreva o roteiro, mas seria uma puta de uma coisa Norma Desmond a ser feita.
Nos créditos de abertura lê-se "inspirado pela música e várias vidas de Bob Dylan", e é aí que a coisa fica genial, porque não é baseado em alguma biografia específica.
E "inspirado" é uma palavra bem mais abrangente que "baseado"; você pode dizer que dá tudo no mesmo, mas se prestar bem atenção às palavras e suas camadas, você notará a diferença entre elas.
No fim, em "Não Estou Lá" parece realmente que ninguem está lá! Você sabe que eles estão falando de Dylan, mas será mesmo? O filme apresenta uma honestidade crua em relação ao fato de que aquela é a visão de Haynes e é por isso [à minha concepção] que o filme é tão intrigante, exigente e [por que não?] inspirador.
De agora em diante tenho duas missões: descobrir Dylan e Haynes.
[Musique: 1234 - Feist]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Emqetchy Inutel!!1!

Enquete realizada num momento de vagabundagem e tédio extremos, sem nenhum fim conclusivo ou motivo decente.
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Alguém já teve ejaculação precoce contigo? [Ou] Você já teve ejaculação precoce com alguém?
Das 7 pessoas entrevistadas na pesquisa física, 1 não quis responder, 2 disseram que não e 4 [YES QUATRO!] disseram que SIM!!!!
Pelo visto o caso é mais comum do que parece.
Dessas quatro, uma delas [não vou dizer quem (OBEVIL!) - e a pessoa por favor não se entregue rsrs] se aplica ao caso da segunda pergunta; aparentemente ela estava bebão e há muito tempo sem gozar e a outra criatura ainda por cima rebolava de mais. Daí sabe como é né... DAQUELE JEEEEITO!! Todas as outras sofreram com a precoce ejaculation, ora porque estavam há quase 2 horas de preliminares, ou por meros 10 minutos mesmo. A última pessoa desconversou e foi preparar uma comida, pra não ter que me contar o basfond. rsrs
Fim das contas: se uma dia gozarem antes de te comerem, exija uma reparação okay!! Nada de deixar desleixo barato!
Agorem votem acá e não esqueçam de comentar!! AEAEAEAEAEAEEE rs


[Musique: Thick Ear - Bent]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sobre O Conservadorismo da Academia

Rs... eu sei que eu deveria ligar o nemli quando ouço as pessoas dizendo que o Oscar é uma premiação conservadora, mas é que eu não resisto a uma boa briga.
Yes, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é... medrosa! E pior, muitas vezes mostra sinais de atraso. Às vezes, porém, ela dá uns passos ousados; pegue 2005 por exemplo, ano cocô no cinema em geral, vários filmes que não eram ruins, mas também não eram maravilhosos; o ruim é que todos carregavam poses pavônicas, alguns por si próprios [oi Steven Spielberg], outros colocados por segundos e terceiros [alô Brokeback Mountain]. Aí a Academia nomeia as seguintes obras à sua premiação máxima: "Brokeback Mountain", Capote, Boa Noite E Boa Sorte, Munique and Crash.
Analisemos rapidamente uno per uno. "Capote" tem o elemento biografia que a Academia tanto adora, mas boa parte da empolgação dele no Oscar se deve à atuação impecável [e vencedora] de Philip Seymour Hoffman; "Munique" é a tabela de a Academia sempre se sentir obrigada a indicar Spielberg por qualquer coisa que ele faça; "Boa Noite e Boa Sorte" é a boa história política do passado servindo de exemplo para uma do presente [McCartismo X Comunismo nos EUA/Bush X Islã]; "Crash" é o drama-melão de mensagens que se deu bem pela campanha [nojenta] da Oprah Winfrey + o fator de culpa dos brancos americanos; e o Brokeback Mountain era o único que realmente cheirava a algo revolucionário pelo teor controversial [G-A-Y], porém não passava de uma dramalhão como qualquer mexicano hollywoodiano.
Todos os filmes indicados a melhor filme tratavam de temas sociais, mais especificamente das minorias americanas. Comunistas, gays, mulçumanos, negros e latinos estavam todos lá marcando presença, mostrando que a Academia parecia estar prestando atenção a coisas que o americano em geral ignora. Meus desafetos reais nesse ano são: "Munique", que roubou duas vagas do belíssimo O Jardineiro Fiel de Fernando Meirelles - melhor direção e melhor filme. E "Crash", um filme bem menor do que realmente é, mas que recebeu uma campanha fabricada de última hora [o filme era do começo de 2005 e praticamente ninguém se lembrava dele]. Crash é daqueles filmes que só serão lembrados por terem roubado o Oscar de filmes melhores e de maior ressonância social. Brokeback Mountain, na minha opinião, não é um filme maravilhoso - pra mim, é enfadonho e não tem nada de extraordinário; contudo é ousado em sua temática, coisa que Crash tenta ser, mas no fim das contas acaba sendo mais um filme que fomenta os maniqueísmos hollywoodianos de bem X mal; portanto, o filme de Ang Lee era o grande merecedor daquele ano.
É por essas e outras que eu digo que a Academia é lenta beirando ao conservadorismo, mas não porque ela não indica mais Lars von Triers ou filmes indies [que são em sua maioria lixos pretenciosos], ou porque ela dá mais atenção para os filmes que têm bastante dinheiro para aparecerem mais. O Oscar não é um sinal de qualidade, não premia o melhor do ano [vide Crashs, Halle Berrys e Charlize Therons da vida]; mas há sim qualidade e ousadia [mesmo que tímida] no Oscar!
Tiros em Columbine é vencedor de um prêmio da Academia, A Luz é Para Todos [1947] também, Beleza Americana também é vencedor de melhor filme, entre outros.
PS: Também não venham me dizer que é uma premiação comercial! Porque há mais de anos que os indicados a melhor filme não chegam nem à lista dos mais assistidos nos EUA em seus respectivos anos.
[Musique: The Onliest - Feist]

Continuando A Feist Life

Estive por meses preocupado com minha Indie-nização, mas para que se preocupar quando se tem essa molier do mel corassal. Depois desse nunca andarei esteiras rolantes normalmente!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Façam Um Favor A Vocês Mesmos:

Baixem tudo que encontrarem pela frente que tenha a tal da Leslie Feist!! Felicidade até nas fossonas!!!
[Song: The Park - Feist]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Oscareiro*: Juno

*Talvez haja spoilers*
Tudo começou quando li a crítica de the ho para Juno. Dizia:

Na melhor cena do filme, Vanessa [Jennifer Garner] encontra Juno [Ellen Page] no shopping. Ela pede para tocar sua barriga. O que segue é um diálogo solitário que não se compara a nada mais no filme. Este momento cerca o "sentimento global" que o filme tenta dar à sua heroína; um certo limbo, onde suas decisões começam a realmente importar e o quão apavorante e, ainda assim, mágico tudo se tornou. [Movies Kick Ass]
- A personagem-título:
O que se seguiu foi toda uma discussão sobre as falhas do filme. Beleza, você pode dizer que somos bitches negativas, mas se você quer ler adorações cegas sobre Juno, é só googar o filme.
Ambos achamos Juno um filme tremendamente fofo, com personagens estranhos e charmosos, e maravilhosas performances. Mas possui uma irresponsabilidade e algumas irrealidades que são meio bizarros. Eu disse:

Também é minha cena favorita: a que ficou presa em minha mente por séculos e eu concordo completamente com a nota que você deu [3 de 4], porque o filme é mega lindo e engraçado, mas meio irresponsável. Quero dizer, beleza, é o filme de Junoe talvez foi a intenção de Cody fazê-lo assim. Mas como Juno se move pela história, como se fosse cool demais [é cool por ter engravidado, é cool por querer abortar, é cool por decidir mantê-lo etc]… e como todo mundo parece apoiar toda sua irracionalidade e prepotência…
Ao qual the ho respondeu:

Eu sei! Exceto Vanessa e a madrasta [Allison Janney].

A conclusão é que o roteiro de Diablo Cody venera o comportamento inconseqüente de Juno na maior parte do tempo.
- Sobre realidade:

Claro que estamos cagando pra realidade nos filmes, mas no fim do dia, quando você segue com sua vida, é o "nível de abstração" que você tira dele [ou de qualquer outra forma de arte] que diz o quão importante ele é pra você ou não. Por nível de abstração digo: o quanto o filme gruda em sua cabeça; como the ho disse: "porque eles duram em sua mente", quando eu disse que o casal Loring eram os únicos personagens perto da realidade.

The ho vai mais a fundo em sua crítica, dizendo:

Surpreendentemente esse não é um drama de família pesado, mas uma comédia fofa, indie e "olha como sou estranha", que usa seu gênero para ignorar repercussões mais profundas (que ninguém se importa com a quantidade de DSTs que Juno poderia ter pego é meio perturbante). [MKA]
Eu acrescentaria aborto a essas repercussões. O filme escolhe evitar a discussão; até aí tudo bem. Mas isso reflete em como Hollywood ainda lida com o assunto, como li uma vez num blog do Guardian.
Você já encontrou algum pai que tratasse a gravidez da filha adolescente com tamanho descuido e sarcasmo como o pai de Juno [J.K. Simmons]? Ou um garoto tão idiota que não quereria participar de qualquer decisão sobre o futuro de sua cria [Michael Cera]? Sobram os Lorings e a madrasta de Juno como as únicas pessoas com quem vocês esbarraria na vida real.
Sobre Mark Loring [Jason Bateman] the ho diz:

Mark brilha com os sonhos de ser rock star que, ele acha, que sua esposa o impediu de realizar, enquanto ela se torna inconsciente aos sentimentos dele, porque, para ela, eles já teriam se tornado um nesse momento. O sorriso vazio de Bateman captura a alegria de sonhos perdidos há tempos, combinada ao egoísmo de se recusar a crescer. [MKA]
No MSN ele mencionou uma discussão com Andres sobre Vanessa:

Tive uma pequena discussão com Andres porque ele disse que Vanessa tinha TOC e Mark era o cara mais legal da vida; [eu disse: discordo plenamente.] (...) Eu também, mas isso mostra como o filme só funciona efetivamente com eles. D-us sabe que eu não brigaria de jeito nenhum sobre os tic tacs laranjas.
Fui adiante dizendo que é quando o filme tenta nos fazer odiar Vanessa por não ser excêntrica como os outros, que ele começa a falhar:

O que acho é que Vanessa era um tanto obsessiva. Ela queria (tanto) ter aquele bebê, que às vezes parecia que ela mal sabia porquê; é aí também onde acho que o roteiro de Cody começa a falhar. Senti que quando a relação de Juno e Mark começa a desenvolver, parece que o filme está tentando nos fazer odiar Vanessa por parecer desesperada. Contudo, o filme é de JUNO, talvez era para ser assim; porém novamente, aposto que muitas pessoas não gostaram de Vanessa pelo fim do filme (porque) pensaram que ela era muito fria.
E para um filme que se gaba por ser tão indie e excêntrico, julgamento à diferença deveria ser a última coisa a ser endorsada. Isso leva ao pensamento de que a maioria dessas comédias adoráveis, com toda sua linguagem alternativa e roteiros pop-culturais são os mais conservadores.

- Sobre o Oscar, Ellen Page e Roger Ebert.

The ho: Nós soamos como Ebert e [Richard] Roeper no programa deles; exceto que Ebert se masturba por Juno, mas whatever, acho que Page vai ganhar.
Moi: Eu não e espero que não.
The ho: Bem, se tenho que te lembrar, Ebert cria um ganhador do Oscar a cada ano. Geralmente é aquele que a gente nunca escolheria, mas ele é bem poderoso assim.
Moi: Rs eu sei. Mas quem é que sabe? As coisas têm estado sólidas pra Christie.
The ho: Elas também estavam para Sissy Spacek em 2001. Até Ebert começar a fazer campanha ferrenha para A Última Ceia.
Em simples e curta conclusão: não escolheriamos Juno como melhor filme de 2007, nem Page como a melhor atriz. Mesmo se amamos ambos.
*Oscareiro: já que fevereiro é o mês do meu inferno astral, nomeamo-nos oscareiro, pra eu não pensar tanto nele.
[Song: It's Cool To Love Your Family - Feist]

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Inferno Astral

Inferno astral é o período de 30 dias que antecede um aniversário de uma pessoa. Senso comum sabe que ele consiste em todo tipo de merda que acontece na vida da pessoa. Astrologistas dizem que é quando um ciclo na vida de uma pessoa termina, por isso a bagunça emocional e [algumas vezes] racional. O inferno de Lucas começa 26.02 e ele já está se preparando pra caca.
Engraçado é que o Guia de Consciência Semanal da Cabala falou sobre ego e como devemos sempre mantermo-nos ligados em relação a ele; mas a primeira coisa que li sobre inferno astral tratava apenas de introspecção. Beleza, isso também é algo a ser feito - considerando que ter consciência inclui conhecer a si mesmo - mas talvez também seja tempo de olhar para grande figura também.
Foi quando achei outro texto que dizia:
Segundo o astrólogo Eduardo Maia, o "Inferno Astral" só acontece quando não percebemos que precisamos sair do palco para contemplar mais o mundo e nos desapegarmos, em benefício daqueles que precisam de uma ajuda emocional ou prática. "É um período de ser instrumento para o bem dos outros e não estar tão preocupado com causas próprias", afirma. Como isto geralmente não acontece, vem a angústia, o vazio e a sensação de desorientação. [Porto Do Céu]
Meu inferno astral termina 28 de março e até lá meu comportamento submarino usual será guiado por uma antena ligada às pessoas.
Soa contraditório: c'est moi na maior parte do tempo.
[Musique: Moving - Kate Bush]

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Odeio Sonhos


[Toque a música enquanto lê. (Postado originalmente em Life's A Bitch.)]
E lá estava eu em meu quarto, quando a cabeça dele aparece pela porta. Foi uma grande surpresa tê-lo aqui, e disse isso a ele. Ele me lançou um sorriso brilhante que titilou as bases dos meus joelhos; estava mais lindo que nunca, com seu cabelo jogado para trás pelo lado, como numa foto dos anos 1960, ou, se você prefere ser um tanto cínico, como esses garotos Indies, tão comuns de hoje em dia. Mas não havia nada de comum nele; ele sabe mais sobre Literatura, Filosofia e Cinema de Arte que qualquer outra pessoa que eu conheça. Claro que inicialmente aquilo abalou meu ego, deixando-me desconfortável diante dele e seus inteligentíssimos amigos... mas um drink ou outros depois eu já estava mais ansioso para aprender sobre seu mundo do que compará-lo com o meu, então peguei e fui com a onda... mas talvez eu tenha ido longe demais e acabei desmaiando e vomitando minha camiseta. Na minha mente, tudo que havia na dele era que eu não passava de um bobinho, portanto minha surpresa ao ver a cabeça dele pela porta.
Ele e seu sorriso vieram em minha direção, me abraçaram e disseram que eu fazia falta. Adoro quando isso acontece: quando sentem minha falta. Sempre me dá esse frio na barriga, como o calor interno após um gole de cappuccino. Seu abraço era tão tépido quanto isso, de fora para dentro e esse bonito desejo me possuiu quando o abraço começou e manteve-se durante todo o tempo em que tive seus braços ao meu redor. Você nunca aparece, daí temos que vir até aqui, ele disse, deixando-me e sentando à beira da cama. Ele acendeu um cigarro e eu apenas o assistia. Por que ele me atrai, pensei em silêncio, enquanto observava os raios de sol refletidos sobre seu braço de pele branca, ricochetearem por todo o quarto.
Recebi seu sorriso mais uma vez e acendi um cigarro, enquanto subia na cama e deitava atrás dele; ele virou e deitou ao meu lado, nossas faces uma em frente à outra. A luz agora não era tão especial, mas eu podia ver-me refletido em suas pupilas. Sua voz contou-me as notícias da cidade que eu relutava em voltar, até que perguntei de seu ex e como estava a relação. Da última vez que conversamos, ele disse-me que estavam dando um tempo e, devo confessar, que uma faísca acendeu em mim, mas ele imediatamente disse que o amava e tinha saudades terríveis. O mesmo foi repetido, exceto pelo adjetivo dramático.
O problema de perguntar tais coisas para amigos aos quais você tem certa queda é que há o risco de ouvir um grande monólogo sobre os predicados da outra pessoa. Bingo! Ele contou-me sobre a última vez que se encontraram e apesar de meus olhos estarem fixos nos dele, minha mente havia andado milhas daquele ponto, até que ela foi abruptamente trazida de volta ao quarto, ao sentir seus lábios ansiosos tocarem os meus e sua língua penetrar minha boca. Um vulcão estourou dentro de mim, fazendo meus braços derramarem-se ao redor de seu pescoço, enquanto os dele amarravam-se à minha cintura e me puxavam para dentro dele.
Seus lindos olhos castanho estavam fechados, mas no momento em que abri os meus incrédulos, ele abriu os dele, em perfeito uníssono; e aqueles olhos brilharam dentro de mim, provocando um inevitável sorriso entre nosso beijo ardente. E lá nos deitamos, sua cabeça repousando em meu peito, como se ela, as orelhas e a mente houvessem penetrado meu seio. Minha mente romântica levantou vôo, imaginando como aquele garoto com mágica sensibilidade, abordaria um garoto como eu, e deitamos ali, até cairmos em sono.
Quando acordei, ele já não estava lá e uma sensação de vazio apoderou-se de mim... naquele momento eu sabia que nada fora real, que logo tudo desaparecia no nada. Mas ainda assim fui atrás dele; ele não podia deixar-me daquela forma, pensei; mas a verdade era que aquele momento com ele dera-me um enorme senso de possibilidade, esse insetinho que se instala em nossos corações sempre que algo sai da ordem natural.
Mais tarde o encontrei e com um abraço ele disse-me que amava o ex... deveria ter esperado isso: homens com histórico mais uma vez. E então ele disse: "mas estou com tanto medo de também me apaixonar por você, de ter qualquer fundação abalada, meu caminho linear embaralhado que me apavorei! Mas não partirei novamente... pelo menos agora..."
De repente, senti uma mão pesando meu ombro, olhei ao redor e nada vi; mas então olhei novamente e vi meu pai. Você tem alguma roupa para lavar, ele perguntou.
Estava acordado.
[Song: Cocoon - Björk]

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A Caçadora



Levou-me um mês para finalmente poder escrever sobre minha experiência com Björk no Rio de Janeiro. Esse bloqueio não é novo nem fonte de uma mente preguiçosa. Todo dia quando escuto suas músicas, eu reviso o show em minha mente e sinto de novo os arrepios e suspiros que aquele fatídico dia de outubro me causou. Quem saberia que depois de tanta bully do destino, eu, um dia, ficaria 12 horas numa fila para ver o passarinho islandês?
Na verdade, eu sabia, o mês anterior havia sido gasto planejando e sonhando aquele 26 de outubro e, logo cedo de manhã, Artur [meu amigo carioca e cicerone] e eu saimos da casa de nossos amigos, na Tijuca e fomos de metrô para a Cinelândia. Lá tomamos café-da-manhã e andamos até a Marina da Glória, onde o show aconteceria. Já encontrando 7 ou 8 pessoa lá, nos posicionamos na fila, para assim atingir nosso objetivo: ficar colado à grade, bem em frente a Björk, daí ela nos ouviria gritar que faríamos sexo com ela onde ela quisesse. Gastamos tempo dividindo nossas histórias de shows, analisando Björk e imaginando se ela chegaria de bicicleta, submarino ou pedalinho.
Às 20h, estava bonitinho e quieto no meu lugar desejado - bem no meio, em frente ao microfone dela, - mas na correria da entrada me perdi de Artur e ele foi parar um metro ou dois de mim; mas eu não me mexeria dali. Como me atreveria? O show de Antony And The Johnsons começou meia hora depois e foi um tanto decepcionante. Feist havia cancelado o resto de seus shows no Brasil, por causa de labirintite, então eles puseram Antony para substituí-la no Rio, portanto o show dele no palco Tim Volta foi de 30 minutos, mais o som não estava legal e a iluminação horrível. Ao menos ele foi bem simpático em sua timidez, e cantou The Crippled And The Starfish. Antony and The Johnsons é formado por um cello, violão, guitarra, um violino, uma viola e o piano de Antony - uma banda acostumada a tocar em teatros, então amei o que ele disse em relação à arena do Tim "é bem interessante tocar num lugar como esse. É como cantar contra o oceano."
Aquela foi uma frase tão Björkiana que não me senti culpado, por ficar satisfeito que o show dele foi tão pequeno. A ansiedade de finalmente ver meu D-us ao vivo começava a estourar por meus ouvidos e boca, ao contrário da tranqüilidade que senti o dia inteiro. Enquanto os holdies arrumavam o palco, podiamos ver Mark Bell e Damian Taylor montando suas mesas eletrônicas e programadores. De repende, todas as luzes se foram e a banda feminina de sopro, Wonderbrass, veio tocando a intro, Brennið Þið Vitar, instantaneamente seguida pela maravilhosa Earth Intruders.
Como a mãe Oceania, pisquei meus olhos e ela estava em minha frente, toda linda e petite com seu vestido de embrulho de natal dourado, e testa com gliter da mesma cor. Foi incontrolável; o longo e alto grito que saiu de minha boca foi simplesmente incontrolável - lá estava ela em minha frente e eu mal conseguia acreditar. Logo depois veio Hunter com suas novas batidas metálicas e arranjo de sopros [ao invés de cordas], e percebi quando ela pegou algo no chão e escondeu sob os babados do vestido; pelo fim da canção ela simplesmente formou uma teia... não consigo descrever, vocês terão que ver por vocês mesmos [no vídeo no topo do post].
E meu orgasmo foi crescendo gradualmente quando ela cantava Pagan Poetry e Unravel [uma canção que nunca sonhei em ouvir ao vivo], Jóga, Army Of Me e I Miss You. Não conseguia parar, e quando meu tema da Marina da Gloria, Wanderlust, foi tocado, eu estava estático e de boquiaberto. E então quando veio HyperBallad - eu sabia que o fim estava próximo. Ela cantou o primeiro verso e então pôs a mão na orelha e pediu que cantássemos o resto - certamente ela notou que cantamos todas as músicas do setlist. Então, a rave começou e junto veio Pluto e eu já não era eu mesmo! Me sentia como um maníaco impulsionado por aquelas batidas industriais e eletrônicas e lasers verdes; não dava para parar de pular, e ninguém ao meu redor pararia! Quem ousava era automaticamente movimentado pela multidão!!! A banda de sopros deu um tom ainda mais assustador à canção. E ela acabou assim que começou.
Eu estava viajando em êxtase, ainda não conseguia parar de gritar! Alguns ao meu redor choravam, mas eu estava muito hypado para chorar. Todos sabíamos que ela voltaria para o bis, então todos na arena - mais de 4 mil pessoas - batemos nossos pés no chão, fazendo muito barulho pelo retorno dela. E ela logo voltou, apresentando seus companheiros de banda e tocaram a altamente esperada Declare Independence. Tenho apenas uma coisa a dizer: MORI!
Artur me encontrou depois no mesmo lugar que estive durante todo o show. Não conseguia me mexer, eu não podia deixar aquele lugar! Era como se eu tivesse um desejo desesperado de tê-la de volta! Minha garganta nem existia, minha voz morrera com meu corpo, porque eu só estava em pé por inércia. Então saímos da arena roucos, cheios de confetes Björkianos nas bolsas, 4 reais mais pobres, devido à uma garrafa d'água, mas com um enorme sentimento de satisfação.
...era assim que se sente quando um sonho se realiza.
[Musique: I Miss You - Björk]

Volta Tour Videos


[The Pleasure Is All Mine - Rio de Janeiro]

[Declare Independence (part 1) - Rio de Janeiro]

[Declare Independence (part 2) - Rio De Janeiro]

[I Miss You - Glastonbury]

[Earth Intruders - Glastonbury]

[HyperBallad - Glastonbury]

[Pluto - Glastonbury]

[Army Of Me - Glastonbury]