"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

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domingo, 29 de novembro de 2009

As Músicas de 2009 - Top 10 [Parte 2]


Continuando minha revisão musical de 2009, apresento agora a primeira parte das principais canções, da décima à quarta posições, que me enlouqueceram de alguma forma ao longo do ano. Na última parte, o top 3.

10. "Empire State Of Mind" de Jay-Z featuring Alicia Keys/"Love Lockdown" de Kanye West

Em 2009 eu me entreguei por completo ao Rap/Hip-Hop, desde à expressão honesta e urgente de suas letras às batidas, ora repetitivas ora muito bem produzidas. Os nomes principais este ano foram Jay-Z, com seu estupendo Blueprint 3 [Atlantic, 2009], e Kanye West, com as melancólicas batidas e vocais de 808s & Heartbreak [Island Def Jam, 2008].

Em Love Lockdown West canta nos versos, distorcido por um vocoder sombrio, sobre um amor que está tomando um rumo mais obscuro e quase obsessivo, para explodir no refrão com uma batida tão excitante quanto o romântico pedido de sua letra: "now keep your love lock down/ your love lock down!" E é de conhecimento geral o quanto Lucas se derrete por uma boa letra depressiva combinada a um batidão divino.

Jay-Z se juntou a Alicia Keys para construir uma perfeita ode à cidade mais fascinante do mundo. Empire State Of Mind tem um momentum genial por vir numa época em que ninguém já prestava muita atenção em Nova York. Daí Lady GaGa sai do underground novaiorquino e, em Gossip Girl, seguimos as peripécias de jovens residentes do outro lado da "cadeia alimentar" social de Nova York, o milionário Upper East Side.

Jay-Z e Keys, porém, se abstiveram das lutas de classes e cantaram o motivo-mor e unificante de amor à selva de pedra: "In New York, concrete jungle where dreams are made of/There's nothing you can't do/Now you're in New York/These streets will make you feel brand new/Big lights will inspire you/Let's hear it for New York", a vibe global e o sentimento de estar num lugar onde tudo pode acontecer.

09. "Burial" de Miike Snow

Miike Snow é um projeto do cantor/compositor americano Andrew Wyatt em parceria com os gênios da Dance Music contemporânea Christian Karlsson e Pontus Winnberg, ou em outras palavras, Bloodshy & Avant. O que me impressionou neste projeto é o fato de que os inventores de "loucuras da pista", como Toxic e Piece Of Me [Britney Spears], são também capazes de construir perfeitas canções em mid- e downtempo como Burial.

A beleza principal do homônimo álbum de estréia do projeto está em todos os elementos eletrônicos, típicos da tour-de-force dançante que conhecemos das produções anteriores da dupla sueca, mas em tempo muito mais contemplativo e suave: cada detalhe e camada sonora chega e acontece em seu tempo, sem urgência e tranquilos, o que dá um insight interessante sobre o projeto que, apesar de formado em 2007, tomou seu tempo para chegar a obras-primas como esta faixa.


08. "Shark In The Water" de V.V. Brown

A princípio, quando ouvi seu single-debut Crying Blood, julguei V.V. Brown como mais uma na onda retrô popularizada por Amy Winehouse. Mas eu ignorava a frenética excitação dos clássicos grupos Soul das décadas de 1950-60 misturada a sons de video-game.

Na época de lançamento de seu primeiro álbum, Travelling Like The Light [Island, 2009], resolvi dar uma segunda chance à britânica de beleza exótica e me deparei com um álbum apaixonado, mas ultra agridoce. Todas as canções foram inspiradas no processo de término de um relacionamento, o que deu ao álbum de Brown uma forte luz inspirada, apesar de às vezes um tanto ingrato, mas nunca depressivo - apenas cheio de paixões.

Para o meu deleite, Shark In The Water tem as fortes cores do Pop associadas às desconfianças e ciúmes, infundados ou não. A interpretação de Brown é raivosa, contrastando com a idílica e sonhadora sonoridade meio Reggae, mas com refrões e pontes dignos de todo bom Pop. Nos momentos de paranóia amorosa, "Shark In The Water" é daquelas que simplesmente te fazem gritar cantando. DELÍCIA!

07. "Hearts Collide" de Little Boots

Little Boots foi uma das grandes revelações de 2009; seu álbum de estréia [Hands - Sixsevenine, 2009], apesar de não cumprir as expectativas de muitos que acompanharam sua trajetória do YouTube ao contrato com a indústria, é um dos melhores do ano, com canções que são ótimas simplesmente por serem assumidamente Pop. E como letras introspectivas e românticas estão para o Pop assim como elétrons atraem prótons, Hearts Collide com sua vibe de balada, mas espiritualidade dancefloor, me conquistou instantaneamente. A atmosfera eletrônica, casada com vocais épicos e uma letra ultra-romântica logo fez da canção uma favorita do ano.

06. "Lady" de Joss Stone

Joss Stone é uma Diva! E sua competência musical melhora a cada álbum, como escrevi na review de Colour Me Free!.

Em Lady ela lida com um dilema clássico da música Soul: tesão e dignidade. Contudo, esqueça o [suposto] cliché temático e perceba um arranjo tão orgânico que soa como se tivesse sido gravado ao vivo. A voz de Stone é real e tão forte quanto o que se espera de uma Diva do Soul estabilizada; o melhor é que não se pode imaginá-la cantando outra coisa. É emocionante simplesmente ouvir Joss elevar as notas nos pontos certos, sem exagerar como a maior parte das gritadeiras do mundo.

05. "Quicksand" de Britney Spears featuring Lady GaGa

Digam o que quiser de Britney Spears e sua capacidade artística, mas ao longo de seus 10 anos de carreira ela tem sob seu nome algumas das melhores faixas Pop da história, sejam elas singles ou não. Ano passado Britney esteve no meu top 3, o que pode ter influenciado na minha revisita intensa de toda a sua discografia, resdescobrindo jóias como seu terceiro álbum, Britney [Jive, 2001].

Este ano porém ela se estabilizou na 5a posição com sua colaboração com a grande estrela Pop do ano, Lady GaGa. Esta escreveu Quicksand para o álbum Circus [Jive, 2008] de Spears; a faixa tornou-se apenas uma bônus para iTunes, mas deveria ter sido lançada como single. Spears imprime perfeitamente o drama inerente a qualquer faixa composta e produzida por GaGa; com uma batida que, a uma certa distânica, lembra o FunkPop carioca, o melhor mesmo desta canção é, como disse, o drama: da letra aos vocais desesperados. Então, digam o que quiser, Spears sabe entregar boas faixas Pop, mesmo que não faça parte de sua alçada a manufatura delas.

Britney's top 5:
a. Quicksand [featuring Lady GaGa]
b. Toxic - precisa de comentários?
c. Let Me Be - protótipo de power woman com refrão de cantar junto.
d. Stronger - "MY LONELINESS AIN'T KILLING ME NO MORE!"
e. Piece Of Me - depois de Toxic essa é a música ícone de Miss Spears.


04. "Who'd Have Know" de Lily Allen

Lily Allen lançou o primeiro grande álbum de 2009 [na minha opinião]. It's Not Me, It's You [Regal, 2009] recebeu críticas pela escolha de Allen por um ElectroPop mais genérico, mas provavelmente tais críticos não se ligaram à personalidade que Lily é capaz de impor a suas músicas.

Mantendo-se elemental e viva nas melodias, e deliciosamente auto-depreciativa na maioria das letras, Lily Allen mostrou com este álbum que maturidade não vem necessariamente com a idade. Suas idéias são contundentes e muito bem substanciadas, como em Everyone's At It [sobre o uso de drogas] e The Fear [sobre o culto à celebridade], ou às vezes brutalmente honestas, Not Fair [sobre homens perfeitos que trepam mal].

Mas foi na dulcíssima Who'd Have Known que ela me fez derreter. No show que assisti este ano em São Paulo, este foi um dos momentos mais adoráveis, com a pirralhada adolescente ao meu redor cantando do começo ao fim, mesmo que não exatamente entendesse a sobriedade por trás do romantismo. A mim ela lembra Luan; ele não dá a mínima para Lily Allen, nem faz idéia do que diz a letra, mas é ele quem me vem à mente quando ouço.

Lily Allen também produziu alguns dos melhores video-clipes do ano, todos os singles deste álbum renderam vídeos perfeitamente produzidos e o melhor: profundos em conteúdo e estética [reparem as fotografias!], especialmente os de 22 e da faixa que estrela nesta lista.

Lily's top 5:
a. Who'd Have Known
b. 22 - Lady Cums-In-Your-Face
c. Not Fair - homens perfeitos, mas que não trepam bem
d. Everyone's At It - "de políticos crescidos a jovens adolescentes (...): todo mundo usa!"
e. Fuck You - aos retrógrados e intolerantes de plantão





[Continua...]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"Everyone's At It"

Continuando a minha Allen-ização estou de cara com as letras deste novo álbum! Já disse que elas continuam controversas, mas longe da convenialidade do Pop atual.

Britney Spears e seu novo single têm causado polêmica devido ao trocadilho entre a pronúncia da frase If You Seek Amy e F-U-C-K Me [em inglês]. Mas sabe o quê? Tricks are for kids! Travessuras são para crianças! Neste novo álbum Lily Allen mostra a Britney e afins o que é contar você mesmo a sua história. Lily não apenas discorre sobre temas, sejam eles gerais ou pessoais, ela transmite uma opinião madura e forte.


Not A Girl, Still Hardly A Woman

Em Everyone's At It ela abre o álbum com um insight genial sobre as drogas. Em seu discusso ela é direta e honesta, dizendo que as pessoas as usam o tempo todo. "I get involved/ But I'm not advocating" ["me envolvo, mas não estou advogando], ela diz, então por quê não admitimos o negócio e, caso seja um problema, começamos a lidar com isso de maneira aberta? Allen toca na hipocrisia nossa cotidiana com versos como:

So you've got a prescription,/Então você pega uma receita,
And that makes it legal./E a coisa se torna legal.
I find the excuses,/[Mas] Eu acho as desculpas
Overwhelmingly feeble./Terrivelmente fracas.


Nesta sociedade pós-Amy Winehouse, esta posição [na minha opinião] parece a mais sensata. Em Fuck You, como citei em minha review [um post abaixo], ela lança sua língua ferina ao ex-presidente americano George W. Bush. Mas, inteligentemente, sua letra generaliza uma personalidade não muito rara em sua nossa geração:

Look inside, look inside your tiny mind, then look a bit harder
Olhe dentro, dentro de sua mente minúscula, e depois olhe mais ainda
Cause we're so uninspired, so sick and tired, of all the hatred you harbour
Porque já estamos cansados e sem inspiração com todo o ódio que você nutre
So you say it's not OK to be gay, well I think you're just evil
Então você diz que não é certo ser gay, bem, acho que você é apenas mau
You're just some racist, who can't tie my laces
Você é apenas um racista, que não me convence
Your point of view is medieval
Seu ponto de vista é medieval

Porém Allen não pára por aí.

Alright, Still [2006] era bem raivoso. Allen guardava rancor do namorado traíra, destratava os sexualmente desinteressantes e não perdia uma briga com garotas nojentas. Tudo muito humano, como diriam Billy Flynn e Mary Sunshine, "understandable, understandable"; aí Allen gritou, as pessoas escutaram, mas falaram de volta. De repente era dela que falavam e as pessoas, como ela, raramente foram agradáveis. É provável que por isso em It's Not Me, It's You ela se coloque mais na linha de seu próprio alvo que anteriormente.

A exasperada Back To The Start possui um quê de pedido de desculpas não-específico, parecendo direcionada a todos por quem ela manteve a postura birrenta e irritante. Porém é interessante como ela não se desmancha em cenas dramáticas, apenas assumindo sua culpa nas situações. Em The Fear ela reflete sobre a obsessiva cultura da fama e como nós geralmente a confundimos com sucesso, sempre insatisfeitos até que todos tomem conhecimento de nossa existência.

Contudo, falando assim, tudo soa bem sombrio e sério, mas é impossível não dar boas gargalhadas ouvindo o CD. Desde o delicioso sotaque, à afinada voz e cativantes batidas - tudo é parte da personalidade jocosa e sarcática de Allen. Ao falar de um relacionamento na divertida Not Fair ela começa fofa mas logo solta a bomba:

He's not like all them other boys/Ele não é como os outros garotos
They're all so dumb and immature/Eles são tão burros e imaturos

There's just one thing that's getting in the way/Mas só tem uma coisa que atrapalha
When we go up to bed you're just no good/Quando vamos pra cama é péssimo
It's such a shame/É uma vergonha
I look into your eyes I want to get to know you/Olho nos seus olhos, quero te conhecer
And then you make this noise and it's apparent it's all over/Aí você faz aquele barulho e aparentemente já acabou

O mesmo humor se apresenta por todo o álbum, perguntando-se se D-us já usou heroína ou cocaína em Him, e acompanhada por um ótimo acordeon em Never Gonna Happen. Acabou? Não mesmo: Lily Allen também é doce! Se antes ela somente baixa sua guarda em Littlest Things, aqui ela abre o coração sem cair no pieguismo. Who'd Have Known e Chinese têm clichês habituais de letras Pop românticas, mas é adorável como elas soam verdadeiras em meio à honestidade que permeia o álbum, que se encerra em mais uma canção dedicada a um membro da família. Em 2006 ela tirou sarro do irmão mais novo com Alfie, em 2009 ela demonstra amor e zero ressentimentos em relação a seu pai, que raramente era um pai tradicional e presente.

O interessante disso tudo é a proximidade que a vida de Allen parece ter da minha e de muitas pessoas que conheço; ela, que é apenas 2 anos mais nova que eu, se apresenta como alguém que vem crescendo comigo, mesmo com um background bem diferente do meu. E acredito que muitos outros fãs ou apenas ouvintes conseguem se relacionar com isso - afinal, agora ela parece ter problemas de verdade, juntamente com experiências mais edificantes que ficar bêbada e caçar confusão.

Coincidência? I don't think so.

domingo, 28 de dezembro de 2008

As Músicas de 2008

É a primeira vez que escrevo minha lista anual de músicas neste blog e eu já começo me interropendo para curtir uma das canções mais emblemáticas do ano: Off The Wall do Michael Jackson...

Desde que comecei a listar as canções mais importantes do meu ano, esta lista tem sido uma obsessão para mim. Contudo, em 2008, enquanto a cada mês o mundo da música me excitava e surpreendia cada vez mais (e eu instantaneamente pensava neste post), eu fui me des-nerdizando e me ocupado menos com pré-listas e essas coisas internéticas. No primeiro semestre eu ainda criei a Balada do Stalker, uma postagem semanal que demonstrou como eu me aproximava à crítica britânica e encontrava a cada semana a nova sensação da música. Porém depois da Itália fadiguei da vida virtual e me joguei na boemia.

Mas esta lista já é parte essencial da minha vida e deixar de fazê-la seria um crime. Em 2008 descobri mais divas, presenciei o retorno triunfal de outras e internalizei a eterna batalha entre o mainstream e o alternativo.


The Bubbling-Under:


20. "Like You'll Never See Me Again" de Alicia Keys/"Lamento" de Céu
A primeira, apesar de parecer tema de um episódio qualquer de Felicity, moveu meus melhores e solitários momentos romantico-novelescos. A segunda foi uma das favoritas dos momentos psicodélicos e pores-do-sol durante o ano.


19. "Wikked Lil' Grrrls" de Esthero
Esthero foi uma das descobertas mais gostosas do ano. Essa música, que mistura Hip Hop e Jazz, tinha a charmosa canadense cantando com tantas vozes diferentes que parecia uma girl band qualquer, só que harmonizada de verdade.


18. "Nanny Nanny Boo Boo" de Le Tigre
Tive um momento
Electroklash este ano e Le Tigre é minha banda favorita. Essa canção é uma piada deliciosamente poser ao culto da fama.


17. "Let Me Know" de Róisín Murphy
A molier mais sensual da cena [Dance] Electronica. LMK é uma das canções mais românticas e sexy da música Pop e tem um dos clipes mais gostosos que vi este ano.


16. "Warwick Avenue" de Duffy
Sim, eu gosto mais de Duffy do que de Winehouse e esta me vem no auge do drama-queenismo.


15. "Rapture" de Blondie
Contendo o rap mais cool da história do Pop, Rapture é a canção de abertura dos shows da minha banda imaginária.


14. "Let's Reggae All Night" de CSS
Durante meses meu lema foi "if you want, my friend, we can drink in the afternoon". Resultado: depois de meses alcoólicos, um dia resolvi comer um sanduíche natural e passei a noite vomitando. Moral da história: continue junkie. Viva CSS!!


13. "Boyz" de M.I.A.
Seja "missing in action" ou "missing in Acton",
estes dois termos não são suficientes para resumir a genialidade da dona deste codenome: Mathangi "Maya" Arulpragasam. "Boyz", de seu segundo álbum Kala, é o ideal estético da mistura entre Dance, World Music [apesar de este ser um termo pobre para falar de M.I.A.] e letras políticas.


12. "Like A Drug" de Kylie Minogue
Minogue faz parte do grupo de artistas que nunca me decepcionam. Esta faixa sexy e sugestiva, do X, foi a que mais reverberou este ano.


11. "Modern Love [Mark Moore & Kinky Roland Vox 12" Mix]" de Kish Mauve
Mima me faz pensar em artsy deevas como Edie Sedgewick ou Twiggy. Ela tem a sensualidade e beleza frias que Ladyhawke esqueceu na Nova Zelândia.


Top 10:


10. "Migrate" de Mariah Carey
Factum #1: eu não gosto de Mariah Carey.

Factum #2: eu nunca sou rígido quando o que ela faz, no mínimo, me diverte.

Este ano Carey lançou a sequência do seu ultra-hype álbum de 2005, The Emancipation Of Mimi, o E=MC². O álbum recebeu críticas mistas e não agradou muito aos fãs; quanto a mim, amey!, talvez porque em sua tentativa de mostrar que tem o cérebro na cabeça e não nos peitos, brincando com a
equivalência de massa-energia de Einstein, Mariah não parece muito com a Mariah gritadeira e entediante de sempre.

"Migrate" tem uma das aberturas mais deliciosas da música Pop de 2008, além de Carey fazer o que ela faz melhor que ninguém: letras auto-celebrativas que, na verdade, são divertidas.



09. "Black And Gold" de Sam Sparro
Minha descoberta masculina favorita: Sparro é talentoso, lindo, australiano e gay! rsrs Não que o último adjetivo seja premissa para eu gostar de um artista, mas é que fantasiar sexo com ele é muito mais real do que com Julian Casablancas, por exemplo. "Black And Gold", melhor faixa de seu álbum de estréia, tem uma letra ultra-romântica que sempre me mata e foi um dos mais gostosos singles de ElectroPop do ano, além de ter embalado as viagens a Roma.



08. "American Boy" de Estelle
Tida como a maior revelação do ano em Hip Hop, Estelle foi a primeira artista do gênero que eu realmente gostei. Depois dela, me abri para o maravilhoso mundo do Hip Hop.


Com participação de Kanye West [gênio!], "American Boy" é daquelas músicas radiofônicas que você não tem vergonha em admitir que adora, até mesmo porque ela é muito boa!

Lá estava eu no banco de trás do carro do ex-marido da minha prima, na minha última noite na Itália, ao lado do meu primo italiano [e lindo, importante frisar] ouvindo uma "mix-tape" que ele havia criado e não pude evitar em me sentir feliz quando essa música tocou e ambos a cantamos de cabo a rabo.



07. "Je Veux Te Voir" de Yelle
Descobrir Yelle foi uma das coisas mais divertidas do ano. Como toda francesa, Yelle é chic e glamurosa, mas foi a aurea despojada e blasé dela que me conquistou. IndiePop na forma de se vestir e sacana na maneira de fazer música, as canções de Yelle são excitantes por suas letras explícitas, mas acima de tudo, pela maravilhosa produção perfeita para qualquer dancefloor.



06. "Electric Feel" de MGMT
Momento mais Indie do ano, MGMT foi recebido por mim com certa resistência. O hype ao redor deles me irritava no começo, porque o psicodélico álbum, Oracular Espectacular, parecia uma modernização-faux do rock progressivo de 1970. A mania do mundo indie em copiar por copiar o passado [descaradamente chamada de retrô] sempre me irritou, mas no fim eu saí perdendo, porque a música da dupla é gostosa e bonita.

"Electric Feel" fala dos choques que sentimos quando vemos a criatura por quem temos aquela queda... e D-us sabe como eu sou viciado nesses choques.



05. "Paparazzi" de Lady GaGa
A adição mais recente deste ano é
Lady GaGa, meu novo objeto de adoração Pop. "Paparazzi", segundo Germanotta, é de fato uma canção stalker, mas muito mais sobre nossa obsessão diária pela vida dos famosos, perpetuada pelos amados/odiados paparazzi. Para mim, é romântica, dramática e ótima de cantar junto, como toda canção pop deve ser.



04. "That's Not My Name" de The Ting Tings
Jules De Martino e Katie White, The Ting Tings, são a personificação atual do cool. Melhor lançamento ElectroPop do ano eles são posers, porém talentosos - por isso
renderam bantante conversa aqui ao longo do ano.

"That's Not My Name" além de ser uma genial canção de Electro que sempre bota geral pra dançar rockermente, tem uma divertida letra sobre o desprezo da indústria da música por artistas que não seguem modelos e padrões. A letra também sintetiza a biografia da dupla, que foram sacaneados por gravadoras e tal até alcançarem o estrelato chegando ao topo das paradas britânicas, com essa faixa.



03. "Womanizer" de Britney Spears
Sim, ela tem sido uma das criaturas mais chochadas dos últimos anos, porém este ano Britney Spears voltou MESMO!!! Apesar de ainda não ser tão completa quanto gostaria que ela fosse, eu não consigo negar que ela evoluiu e muito como artista. Circus É um dos melhores álbuns do ano e a prova que Spears é capaz de fazer coisas realmente boas. Eu já percebera isso ano passado com o Blackout, mas só com a
review que escrevi pro álbum deste ano que consegui expressar meus argumentos sobre a evolução de Britney Spears: é como se ela tivesse finalmente vivido e agora há histórias para contar.

Apesar de hoje Womanizer não ser das minhas favoritas do "Circus", ela foi importante no ano como o marco do grande retorno de Spears às graças do mainstream.

Britney's top 5:
a. Womanizer
b. Kill The Lights
c. If U Seek Amy
d. Phonography
e. Shattered Glass



02. "My Love Is Better" de Annie
Passei praticamente o ano inteiro acompanhando Annie. Quando soube que ela estava produzindo seu segundo álbum e que ele seria lançado este ano, revisitei sua discografia, procurei conhecer suas referências e ansiei por cada faixa nova que aos poucos ia vazando. 2008 foi o ano em que ser fã de Annie se tornou importante para mim, porque me toquei da maturidade subestimada que ela possui como artista. Infelizmente Don't Stop [apesar de vazado em sua completude] não será lançado este ano e corre um risco de não ver a luz do dia: a Island Records fez com Annie o que a Mercury Records fez com White e De Martino. E agora sem gravadora, ela continua a compor e produzir mais faixas para seu novo álbum, que eu espero que realmente seja lançado.

"My Love Is Better" [produzida por
Xenomania] é uma faixa essencialmente Pop, com refrão grudendo, sintetizadores fritantes e pose de Diva.



Annie's top 5:
a. My Love Is Better
b. I Know Ur Girlfriend Hates Me
c. I Can't Let Go
d. What Do You Want [Breakfast Song]
e. Marie Cherie




01. "Heartbeat" de Madonna
Inicialmente eu já fui logo dizendo que Hard Candy era uma porcaria. Semana passada li um artigo do Washington Post que explicava essa relação fã de Madonna X trabalho novo de Madonna: quando Madonna lança novo álbum [e consequentemente toda uma nova proposta artística e imagética] a maioria dos fãs gastam horas explicando porque odiaram o novo álbum, para depois de algumas semanas voltarem a encher os ouvidos dos amigos explicando porque mudaram de idéia.

Comigo e "Hard Candy" foi a mesmíssima coisa. Eu não conseguia compreender como era possível um álbum de Madonna no qual Madonna não fosse a estrela única e exclusiva. Ao trabalhar com produtores mega-hypados e não com seres do submundo da indústria, ela saiu de sua zona de conforto e fez um álbum no qual ela dividia o holofote. O que me conforta como ser humano e crítico é que não só os fãs, mas também boa parte dos críticos não captaram de início que este fora um movimento tão premeditado quanto todos os outros de seus 25 anos de carreira.

Madonna em 2008 completou 50 anos e mais uma vez o mundo exigia dela um comportamento e, mais uma vez, ela se recusou a segui-lo. Meses depois de lançado o álbum, ela entrou em turnê mundial com a Sticky & Sweet Tour. Foi quando escutei as reinvenções musicais da turnê e li sobre o conceito do espetáculo que eu finalmente entendi que Madonna realmente não era mais a mesma, graças a D-us!

O show foi concebido como uma colcha de retalhos musical, como um álbum/show de Hip Hop, abusando do uso de samples e referências visuais diversas. A auto-celebração era mais que compreensível, afinal, como diz Purki "Madonna é uma pessoa que imortaliza imagens"; e ela agora entrava num momento da vida [a terceira idade] em que não só sua imagem mas como o seu todo é rejeitado pela sociedade. Ainda assim Madonna não provou apenas que tem muito a dizer e a fazer, como ainda é capaz de nos atrair com aquilo que justamente se diz ser recusável numa mulher de 50: a imagem.


"Heartbeat" é pra mim a melhor faixa do HC. Pharrell mostrou a faixa já pronta a Madonna, com os vocais de uma das strippers do Pussycat Dolls; Madonna adorou, porém reformulou a canção, que falava de amor e sexo no habitual estilo Pop/R&B, transformando-a numa ode à dança e à música. No começo, Madonna queria ser dançarina e com essa faixa ela parece explicar porquê. "Heartbeat" é a melhor descrição do quanto a música e a dança são capazes de tornar qualquer mortal em deuses, como a própria Madonna.

Comecei este artigo falando sobre Off The Wall do Jacko, que tem a mesma premissa de "Heartbeat". O que faz de Heartbeat uma sequência melhor da linda música do Rei do Pop é o fato de ela ser simples e direta; de certa forma, serve como um hino à vida noturna e aos amantes do dancefloor.


Madonna's top 5:
Este ano eu também realizei meu sonho de ver Madonna ao vivo. Ela encerrou a S&S com cinco apresentações no Brasil e eu assisti aos dois shows do Rio de Janeiro. Foram as experiências mais incríveis da minha vida até agora; muito mais importantes do que fazer sexo, ou passar no vestibular. Isso porque eu vi na minha frente e senti com todo o meu corpo o motivo de eu ter Madonna como minha referência-mor. Portanto, todo o
setlist da Sticky & Sweet estaria facilmente nesta lista.



Menções Honrosas:

- "Echo" de Cyndi Lauper: é meu vício da semana e a canção com potencial de me tornar um admirador real de Lauper.


- "Off The Wall" de Michael Jackson: neste ano eu me tornei um amante da música de Jacko. Sempre o reconheci como Rei do Pop, compreendendo bem seu fenômeno e reconhecendo sua grande importância para a Cultura Pop. Mas só este ano que parei, sentei, ouvi sua música e levantei para dançar com ela. "Off The Wall", o álbum, é meu favorito dele como artista solo - acho inclusive melhor que sua marca maior Thriller; e a canção me remete a um déjà vu que adoro ter quando escuto qualquer música: aquele que você apenas sente e por mais que tente não consegue pensar de onde veio.

- "Déjà Vu" de Beyoncé: DEE-VA!! Beyoncé é a verdadeira Diva do século XXI; uma pessoa que nasce com um ventilador embutido nos cabelos não pode ser outra coisa! "Déjà Vu" é a música de Bey que mais gosto de tocar - estridente, paranóica e terrívelmente romantica. Porém o que mais me atrai em Beyoncé é o apelo que ela tem: por mais que pareça errado o que ela esteja fazendo, de repente você se encontra amando; e não é só coisa frívola, mas as referências e qualidade estética de seus trabalhos têm se tornado cada vez mais interessante. Que venha Sasha Fierce!!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Olia Só Que Fofo Gwen!

Até parece que Britney fez uma homenagem!
EDIT: Ah, mas será que essa molier não pára quieta!! rsrsrs


[Musique: Amnesia - Britney Spears]

Coisas da Vida

Olha só como as coisas aparecem diante da gente quando estamos na sintonia. Coincidência? Duvido! Mas enfim, essa notícia de maio deste ano que acabei de achar, sobre a Disney lançar uma coleção de vestidos de noivas inspirados nas princesas.
Para ir direto às fotos, clique AQUI!
Justamente no momento em que tenho pensado bastante em noivas, casamentos blablabla...
Uhg mas não! Não tem nada a ver comigo... estou abstraído deste aspecto da minha vida. rsrsrsrsr
EDIT: Ahh... aí já vem ESSA MOLIER e muda todas as minhas consepções e ponto de vista! rsrsrs
[Musique: KILL THE LIGHTS!! - Britney Spears]
[Musique 2: esse novo álbum de britnéya não pára de me surpreender!! Ahaza B!]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Picadeiro Amargo


Ao ver a expressão de Britney Spears na capa de seu novo álbum, Circus, e ouvindo seu conteúdo, é quase impossível não reparar a interessante ambivalência que ainda é sua vida artística no momento. A foto sustenta uma adolescência semi-ridícula para uma mulher prestes a completar 27 anos, tão evidente que não duvidá-la é quase um lapso de inteligência.

A confirmação da dúvida vem com a música de abertura e lead-single, Womanizer. A faixa dance carregada de elementos eletrônicos bem sujos e caóticos, rementendo-se fortemente à excelente tour-de-force eletro-experimental do Blackout [2007]. Porém, o interessante é o tom raivoso de Spears; com uma voz grave e robótica, que mais se parece com a dela própria do que vocoders, ela abre o proposto espetáculo de circo com um sarcasmo sobre um homem [pode-se ler "mídia/público"] com problemas de fidelidade. Esta maneira de ver e tratar seu mundo e, portanto, a si própria tem efeito interessante.

Na faixa-título ela se apresenta como a definitiva crowd-pleaser, a entertainer tão ávida pelo amor de sua audiência que é capaz de manter características de seu passado imaturo porque sabe que é o que você quer ver. Tal comportamento é ouvido em faixas como as baladas Out From Under e My Baby, e em outros momentos como Blur e Mannequin: são boas faixas, mas soam mais como personagens de Gossip Girl posando de maduras que um adulto de fato.

Contudo, quando o circo assume feições mais estranhas, Britney continua prendendo sua atenção, mas não por seu bel-prazer e sim porque a estrela do espetácalo simplesmente parece ter um ataque. Kill The Lights, sequência de seu hit Piece Of Me, não tem nada de "levemente irônico" e é bem direto e obscuro. Spears declara assassinar todas as luzes e concepções que os outros vendem como dela, dizendo coisas como "Vocês me querem loucamente, eu os quero fora/Acabemos com esse stress" ["You want me bad, I want you out/Release this stress"] e "Há mais em mim do que vocês vêem/Vocês não gostariam de mim raivosa" ["Theres more to me than what you see/You wouldn't like me when I'm angry"]; tudo isso acompanhado de uma produção estilosa misturando R'n'B com maduros elementos de Dance e SynthPop, capaz de te jogar no dancefloor que você nem vai saber por onde veio o golpe.

Outra estrela do álbum é If You Seek Amy. A nova colaboração entre Spears e o produtor de seus sucessos mais icônicos, Max Martin [Baby One More Time, Oops I Did It Again etc], ainda sustenta característica sonoras de seus passados pop-teen [de Spears e Martin], como la-la-las, refrões grudentos e pontes pop bem britnescas. Mas há um humor quase negro que vai desde os sintetizadores rápidos e desesperados ao trocadilho do título [em inglês soa como eff, you, see, kay me = F-U-C-K me], que passa a certeza que você pode odiá-la ou amá-la, mas todo mundo [você, inclusive] quer comê-la.

Finalmente, você se toca que o sorriso aparentemente forçado da capa do álbum, pode sê-lo de fato. Ser a estrela do circo não significa que por trás da cortina ela esteja feliz com o mundo ao seu redor. Quando não está nos agradando, Spears é bem crítica quanto ao seu papel e as espectativas dos outros quanto a ela. Isso faz o Circus parecer um bom ensaio de uma pessoa que tem grandes pretensões, mas que ainda faz o que se espera dela... por covardia, por prudência, ou seja lá o que for. E, mesmo desagradando os que esperavam uma evolução ainda mais experimental de seu álbum anterior, Britney faz uma performance digna de 4-estrelas.


PS: O curioso deste álbum é que as faixas bônus soam melhores e mais promissoras que a maioria do álbum. Rock Me In, Trouble, Rock Boy e Phonography [que se tivesse um arranjo IndieRock seria perfeita para o álbum Donkey do CSS] têm produções impecáveis à lá Kylie Minogue e clima EuroPop que, apesar de não tornarem o álbum tão comercial quanto ele é, pelo menos ele teria uma produção mais artistica e elaborada.