"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

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domingo, 29 de novembro de 2009

As Músicas de 2009 - Top 10 [Parte 2]


Continuando minha revisão musical de 2009, apresento agora a primeira parte das principais canções, da décima à quarta posições, que me enlouqueceram de alguma forma ao longo do ano. Na última parte, o top 3.

10. "Empire State Of Mind" de Jay-Z featuring Alicia Keys/"Love Lockdown" de Kanye West

Em 2009 eu me entreguei por completo ao Rap/Hip-Hop, desde à expressão honesta e urgente de suas letras às batidas, ora repetitivas ora muito bem produzidas. Os nomes principais este ano foram Jay-Z, com seu estupendo Blueprint 3 [Atlantic, 2009], e Kanye West, com as melancólicas batidas e vocais de 808s & Heartbreak [Island Def Jam, 2008].

Em Love Lockdown West canta nos versos, distorcido por um vocoder sombrio, sobre um amor que está tomando um rumo mais obscuro e quase obsessivo, para explodir no refrão com uma batida tão excitante quanto o romântico pedido de sua letra: "now keep your love lock down/ your love lock down!" E é de conhecimento geral o quanto Lucas se derrete por uma boa letra depressiva combinada a um batidão divino.

Jay-Z se juntou a Alicia Keys para construir uma perfeita ode à cidade mais fascinante do mundo. Empire State Of Mind tem um momentum genial por vir numa época em que ninguém já prestava muita atenção em Nova York. Daí Lady GaGa sai do underground novaiorquino e, em Gossip Girl, seguimos as peripécias de jovens residentes do outro lado da "cadeia alimentar" social de Nova York, o milionário Upper East Side.

Jay-Z e Keys, porém, se abstiveram das lutas de classes e cantaram o motivo-mor e unificante de amor à selva de pedra: "In New York, concrete jungle where dreams are made of/There's nothing you can't do/Now you're in New York/These streets will make you feel brand new/Big lights will inspire you/Let's hear it for New York", a vibe global e o sentimento de estar num lugar onde tudo pode acontecer.

09. "Burial" de Miike Snow

Miike Snow é um projeto do cantor/compositor americano Andrew Wyatt em parceria com os gênios da Dance Music contemporânea Christian Karlsson e Pontus Winnberg, ou em outras palavras, Bloodshy & Avant. O que me impressionou neste projeto é o fato de que os inventores de "loucuras da pista", como Toxic e Piece Of Me [Britney Spears], são também capazes de construir perfeitas canções em mid- e downtempo como Burial.

A beleza principal do homônimo álbum de estréia do projeto está em todos os elementos eletrônicos, típicos da tour-de-force dançante que conhecemos das produções anteriores da dupla sueca, mas em tempo muito mais contemplativo e suave: cada detalhe e camada sonora chega e acontece em seu tempo, sem urgência e tranquilos, o que dá um insight interessante sobre o projeto que, apesar de formado em 2007, tomou seu tempo para chegar a obras-primas como esta faixa.


08. "Shark In The Water" de V.V. Brown

A princípio, quando ouvi seu single-debut Crying Blood, julguei V.V. Brown como mais uma na onda retrô popularizada por Amy Winehouse. Mas eu ignorava a frenética excitação dos clássicos grupos Soul das décadas de 1950-60 misturada a sons de video-game.

Na época de lançamento de seu primeiro álbum, Travelling Like The Light [Island, 2009], resolvi dar uma segunda chance à britânica de beleza exótica e me deparei com um álbum apaixonado, mas ultra agridoce. Todas as canções foram inspiradas no processo de término de um relacionamento, o que deu ao álbum de Brown uma forte luz inspirada, apesar de às vezes um tanto ingrato, mas nunca depressivo - apenas cheio de paixões.

Para o meu deleite, Shark In The Water tem as fortes cores do Pop associadas às desconfianças e ciúmes, infundados ou não. A interpretação de Brown é raivosa, contrastando com a idílica e sonhadora sonoridade meio Reggae, mas com refrões e pontes dignos de todo bom Pop. Nos momentos de paranóia amorosa, "Shark In The Water" é daquelas que simplesmente te fazem gritar cantando. DELÍCIA!

07. "Hearts Collide" de Little Boots

Little Boots foi uma das grandes revelações de 2009; seu álbum de estréia [Hands - Sixsevenine, 2009], apesar de não cumprir as expectativas de muitos que acompanharam sua trajetória do YouTube ao contrato com a indústria, é um dos melhores do ano, com canções que são ótimas simplesmente por serem assumidamente Pop. E como letras introspectivas e românticas estão para o Pop assim como elétrons atraem prótons, Hearts Collide com sua vibe de balada, mas espiritualidade dancefloor, me conquistou instantaneamente. A atmosfera eletrônica, casada com vocais épicos e uma letra ultra-romântica logo fez da canção uma favorita do ano.

06. "Lady" de Joss Stone

Joss Stone é uma Diva! E sua competência musical melhora a cada álbum, como escrevi na review de Colour Me Free!.

Em Lady ela lida com um dilema clássico da música Soul: tesão e dignidade. Contudo, esqueça o [suposto] cliché temático e perceba um arranjo tão orgânico que soa como se tivesse sido gravado ao vivo. A voz de Stone é real e tão forte quanto o que se espera de uma Diva do Soul estabilizada; o melhor é que não se pode imaginá-la cantando outra coisa. É emocionante simplesmente ouvir Joss elevar as notas nos pontos certos, sem exagerar como a maior parte das gritadeiras do mundo.

05. "Quicksand" de Britney Spears featuring Lady GaGa

Digam o que quiser de Britney Spears e sua capacidade artística, mas ao longo de seus 10 anos de carreira ela tem sob seu nome algumas das melhores faixas Pop da história, sejam elas singles ou não. Ano passado Britney esteve no meu top 3, o que pode ter influenciado na minha revisita intensa de toda a sua discografia, resdescobrindo jóias como seu terceiro álbum, Britney [Jive, 2001].

Este ano porém ela se estabilizou na 5a posição com sua colaboração com a grande estrela Pop do ano, Lady GaGa. Esta escreveu Quicksand para o álbum Circus [Jive, 2008] de Spears; a faixa tornou-se apenas uma bônus para iTunes, mas deveria ter sido lançada como single. Spears imprime perfeitamente o drama inerente a qualquer faixa composta e produzida por GaGa; com uma batida que, a uma certa distânica, lembra o FunkPop carioca, o melhor mesmo desta canção é, como disse, o drama: da letra aos vocais desesperados. Então, digam o que quiser, Spears sabe entregar boas faixas Pop, mesmo que não faça parte de sua alçada a manufatura delas.

Britney's top 5:
a. Quicksand [featuring Lady GaGa]
b. Toxic - precisa de comentários?
c. Let Me Be - protótipo de power woman com refrão de cantar junto.
d. Stronger - "MY LONELINESS AIN'T KILLING ME NO MORE!"
e. Piece Of Me - depois de Toxic essa é a música ícone de Miss Spears.


04. "Who'd Have Know" de Lily Allen

Lily Allen lançou o primeiro grande álbum de 2009 [na minha opinião]. It's Not Me, It's You [Regal, 2009] recebeu críticas pela escolha de Allen por um ElectroPop mais genérico, mas provavelmente tais críticos não se ligaram à personalidade que Lily é capaz de impor a suas músicas.

Mantendo-se elemental e viva nas melodias, e deliciosamente auto-depreciativa na maioria das letras, Lily Allen mostrou com este álbum que maturidade não vem necessariamente com a idade. Suas idéias são contundentes e muito bem substanciadas, como em Everyone's At It [sobre o uso de drogas] e The Fear [sobre o culto à celebridade], ou às vezes brutalmente honestas, Not Fair [sobre homens perfeitos que trepam mal].

Mas foi na dulcíssima Who'd Have Known que ela me fez derreter. No show que assisti este ano em São Paulo, este foi um dos momentos mais adoráveis, com a pirralhada adolescente ao meu redor cantando do começo ao fim, mesmo que não exatamente entendesse a sobriedade por trás do romantismo. A mim ela lembra Luan; ele não dá a mínima para Lily Allen, nem faz idéia do que diz a letra, mas é ele quem me vem à mente quando ouço.

Lily Allen também produziu alguns dos melhores video-clipes do ano, todos os singles deste álbum renderam vídeos perfeitamente produzidos e o melhor: profundos em conteúdo e estética [reparem as fotografias!], especialmente os de 22 e da faixa que estrela nesta lista.

Lily's top 5:
a. Who'd Have Known
b. 22 - Lady Cums-In-Your-Face
c. Not Fair - homens perfeitos, mas que não trepam bem
d. Everyone's At It - "de políticos crescidos a jovens adolescentes (...): todo mundo usa!"
e. Fuck You - aos retrógrados e intolerantes de plantão





[Continua...]

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Well...

... parece que só venho por aqui pra postar coisa sobre ela, mas esse novo vídeo de Lily Allen é LINDO!

De tudo que ela poderia ter feito pra essa música, isso nunca passou pela minha cabeça. O jeito sarcástico de Allen em relação a tudo nessa vida dela é adorável! Quando que alguém pensaria que ela pegaria a futrica com Elton John e transformaria nessa linda fantasia!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Lady Cums-In-Your-Face

Anúncios Pessoais:


Como tirar sarro de si própria e ao mesmo tempo de todo mundo que te critica, elevando-se a gênio fashion, assim como a irreverência musical e o senso de humor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Desejum Com... THE FEAR!!


Não, não é The Fear o single de Lily Allen que me acompanhou hoje no café-da-manhã. É outro medo bem constante: meu inferno astral começa semana que vem. Este ano estou bem susse; ano passado fiquei um mês antecipando-o, agora só lembrei dele esta semana. A vida anda boa, sem muito a reclamar a não ser o marasmo da cidade [porém eu escolhi Conquista e enquanto não posso deixá-la, tenho que me conformar e fazer minha própria diversão].

Entretanto, como o inferno astral é a fase de conclusão do seu ano [vá
aqui para ler mais sobre], você começa a recapitular todo o ano anterior. E quando penso no meu 21º ano mal consigo lembrar de tudo: tipo 10 anos num só, ta ligado? Mas não é difícil constatar qual aspecto da minha vida é minha ervilha no colchão: la vie affectionnée, a vida amorosa.

Aí de repente Lucas levantou da cama, ligou este laptop, pôs Pussycat Dolls pra dar aquela sacudida na bunda cabeça, mas esta só pensava em universos alternativos onde ao invés de Pussycat Dolls, quem me acordaria seria alguém lindo e adorável que faria meu café sem eu precisar sair da cama.

Quis vomitar? Acredite, eu também! Porém é fato: apesar de eu estar muito bem resolvido e até aliviado com a minha solteirice [todos os relacionamentos ao meu redor parecem estar em mini-caos, os quais eu não teria muitas forças no momento] - neste inferno astral, acredito que o incômodo ainda vai ser pensar que estou completando mais um ano sem ter a experiência de um relacionamento. Este é THE FEAR!

Mas depois que o constatei, resolvi dar uma olhada no meu horóscopo e eis o que
Esotérico me disse sobre Áries hoje:

"Fase boa para o amor e as finanças que se estende até abril. Aproveite para colocar em ordem questões que tem tirado seu sono desde ano passado. Apesar de a vida social pedir sua constante presença, o período que antecede seu aniversário sempre é um momento de reclusão e reserva de energias. Poupe-se."

Ohh juh juh... um pouco de otimismo não dói né!

[Musique: Who'd Have Known - Lily Allen]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"Everyone's At It"

Continuando a minha Allen-ização estou de cara com as letras deste novo álbum! Já disse que elas continuam controversas, mas longe da convenialidade do Pop atual.

Britney Spears e seu novo single têm causado polêmica devido ao trocadilho entre a pronúncia da frase If You Seek Amy e F-U-C-K Me [em inglês]. Mas sabe o quê? Tricks are for kids! Travessuras são para crianças! Neste novo álbum Lily Allen mostra a Britney e afins o que é contar você mesmo a sua história. Lily não apenas discorre sobre temas, sejam eles gerais ou pessoais, ela transmite uma opinião madura e forte.


Not A Girl, Still Hardly A Woman

Em Everyone's At It ela abre o álbum com um insight genial sobre as drogas. Em seu discusso ela é direta e honesta, dizendo que as pessoas as usam o tempo todo. "I get involved/ But I'm not advocating" ["me envolvo, mas não estou advogando], ela diz, então por quê não admitimos o negócio e, caso seja um problema, começamos a lidar com isso de maneira aberta? Allen toca na hipocrisia nossa cotidiana com versos como:

So you've got a prescription,/Então você pega uma receita,
And that makes it legal./E a coisa se torna legal.
I find the excuses,/[Mas] Eu acho as desculpas
Overwhelmingly feeble./Terrivelmente fracas.


Nesta sociedade pós-Amy Winehouse, esta posição [na minha opinião] parece a mais sensata. Em Fuck You, como citei em minha review [um post abaixo], ela lança sua língua ferina ao ex-presidente americano George W. Bush. Mas, inteligentemente, sua letra generaliza uma personalidade não muito rara em sua nossa geração:

Look inside, look inside your tiny mind, then look a bit harder
Olhe dentro, dentro de sua mente minúscula, e depois olhe mais ainda
Cause we're so uninspired, so sick and tired, of all the hatred you harbour
Porque já estamos cansados e sem inspiração com todo o ódio que você nutre
So you say it's not OK to be gay, well I think you're just evil
Então você diz que não é certo ser gay, bem, acho que você é apenas mau
You're just some racist, who can't tie my laces
Você é apenas um racista, que não me convence
Your point of view is medieval
Seu ponto de vista é medieval

Porém Allen não pára por aí.

Alright, Still [2006] era bem raivoso. Allen guardava rancor do namorado traíra, destratava os sexualmente desinteressantes e não perdia uma briga com garotas nojentas. Tudo muito humano, como diriam Billy Flynn e Mary Sunshine, "understandable, understandable"; aí Allen gritou, as pessoas escutaram, mas falaram de volta. De repente era dela que falavam e as pessoas, como ela, raramente foram agradáveis. É provável que por isso em It's Not Me, It's You ela se coloque mais na linha de seu próprio alvo que anteriormente.

A exasperada Back To The Start possui um quê de pedido de desculpas não-específico, parecendo direcionada a todos por quem ela manteve a postura birrenta e irritante. Porém é interessante como ela não se desmancha em cenas dramáticas, apenas assumindo sua culpa nas situações. Em The Fear ela reflete sobre a obsessiva cultura da fama e como nós geralmente a confundimos com sucesso, sempre insatisfeitos até que todos tomem conhecimento de nossa existência.

Contudo, falando assim, tudo soa bem sombrio e sério, mas é impossível não dar boas gargalhadas ouvindo o CD. Desde o delicioso sotaque, à afinada voz e cativantes batidas - tudo é parte da personalidade jocosa e sarcática de Allen. Ao falar de um relacionamento na divertida Not Fair ela começa fofa mas logo solta a bomba:

He's not like all them other boys/Ele não é como os outros garotos
They're all so dumb and immature/Eles são tão burros e imaturos

There's just one thing that's getting in the way/Mas só tem uma coisa que atrapalha
When we go up to bed you're just no good/Quando vamos pra cama é péssimo
It's such a shame/É uma vergonha
I look into your eyes I want to get to know you/Olho nos seus olhos, quero te conhecer
And then you make this noise and it's apparent it's all over/Aí você faz aquele barulho e aparentemente já acabou

O mesmo humor se apresenta por todo o álbum, perguntando-se se D-us já usou heroína ou cocaína em Him, e acompanhada por um ótimo acordeon em Never Gonna Happen. Acabou? Não mesmo: Lily Allen também é doce! Se antes ela somente baixa sua guarda em Littlest Things, aqui ela abre o coração sem cair no pieguismo. Who'd Have Known e Chinese têm clichês habituais de letras Pop românticas, mas é adorável como elas soam verdadeiras em meio à honestidade que permeia o álbum, que se encerra em mais uma canção dedicada a um membro da família. Em 2006 ela tirou sarro do irmão mais novo com Alfie, em 2009 ela demonstra amor e zero ressentimentos em relação a seu pai, que raramente era um pai tradicional e presente.

O interessante disso tudo é a proximidade que a vida de Allen parece ter da minha e de muitas pessoas que conheço; ela, que é apenas 2 anos mais nova que eu, se apresenta como alguém que vem crescendo comigo, mesmo com um background bem diferente do meu. E acredito que muitos outros fãs ou apenas ouvintes conseguem se relacionar com isso - afinal, agora ela parece ter problemas de verdade, juntamente com experiências mais edificantes que ficar bêbada e caçar confusão.

Coincidência? I don't think so.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Please Don't Stay In Touch"

Lily Allen tinha tudo para ser mais uma dessas one-hit-wonders desta primeira década do século. Mas no começo deste ano ela lançou este álbum It's Not Me, It's You, pelo qual eu não movi um músculo de ansiedade [li isso aqui na época que foi publicado, porém não tive muito mais que uma habitual curiosidade]. Entretanto, agora que o álbum vazou e já foi lançado, ele vem adentrando minha pele mais gradualmente que seu Alright, Still [mega hit na minha vida].

A coisa mais interessante de INMIY é que Allen ainda é Allen: provocativa, sarcástica e engraçada. Porém, tudo nela neste novo trabalho está diferente. Primeiramente, repare nas roupas! Graças a D-us os vestidos langains deram lugar aos looks sóbrios, e a postura bêbada e bocuda tem sido substituída por alguém que fala, não grita.

Langain, mas com classe!

Neste segundo álbum ela continua brutalmente autobiográfica, porém há menos festas e socos em garotas ricas metidas a besta. Em "It's Not Me, It's You", Allen adiciona a adoráveis faixas ElectroPop-fônicas, letras mais reflexivas sobre si mesma e o mundo ao qual diretamente se relaciona. E isso que é legal: ela refletiu sem ficar muito dark e deprê. Aliás, mesmo quando ela atinge temas "polêmicos" como D-us [na faixa Him], ela o faz de maneira bem humorística, quase engraçada. Até mesmo quando fala de um tema político já ultrapassado que nem George W. Bush, como ela faz num dos ápices do álbum - Fuck You, a canção soa mais sobre o quadradismo social, do que sobre alguém em específico.

Musicalmente ela também soa melhor. "Alright, Still" tinha óóóóóótimas canções Pop que flertavam tanto com Hip Hop, quanto com estilos não muito habituais como o Ska. Neste, contudo, ela vem de ElectroPop. Manjado? Não quando se tem personalidade forte como Allen. Há uma acusticidade na maioria das faixas, mas elas mantém uma característica caseira que, no caso de Allen, é quase uma marca; faixas como Not Fair e He Wasn't There possuem aquele toque retrô [a primeira é deliciosa meio Country-filme-de-bang-bang], mas não soam pretenciosas como a maioria dos samples-suckers da música Indie Pop atual.

Por isso esta nova maturidade tem me cativado - é como se Allen estivesse na melhor fase da juventude: a que a gente se diverte loucamente, mas sabe que tem mais na vida que sexo drogas e rock'n'roll; ela não parece forçar a vida adulta, como muitas cantoras pop fizeram em seus segundos álbuns [oi Nelly Furtado! Vanessa Carlton!], Lily apenas deixa que a maturidade venha naturalmente. Afinal, 23 anos não são 30!
[Musique: Everyone's At It - Lily Allen]