

[Musique: Echo - Cyndi Lauper]
Popismo com altas doses de subjetividade.
Logo no primeiro almoço que eu e Purki tivemos lá tomamos uma marguerita cada e uma série de chopps que nos fez voltar para o albergue trocando pernas. Mas o que pode soar como uma coisa completamente subversiva e inútil é a mais pura normalidade no Rio, enquanto a maioria do brasileiro toma sua cerveja no fim do expediente pra esquecer o trabalho e a vida, o carioca tem sempre aquela aurea de diversão que te faz pensar que todo o resto do dia só existe porque deixa o alcool mais gostoso no fim do dia.
2- Pegue metrô sempre que puder. Primeiro porque é divertido, segundo porque é mais rápido, terceiro porque tem ar-condionado.
No domingo [14/12], quando fomos ao Maracanã pegar os ingressos para nosso show [segunda], a galera já estava ensandecida cantando Madonna, tirando fotos e zoando toda a situação. Num dia normal, as pessoas estão sempre tagarelando e rindo; é quase impossível ficar de mau humor neste transporte público.
3- Esteja aberto a fazer amigos. O carioca tem um jeito peculiar de lidar com o cotidiano; em qualquer lugar que estiver você pode sair com números de pessoas dispostas a lhe mostrar o que ela elas acham essênciais na cidade, eu mesmo voltei de lá com uns cinco números diferentes.
5- Esqueça o sono. É tudo muito vibrante e legal para deixar de ver... durma o suficiente, mas se por um acaso a insônia bater aproveite, porque raramente o Rio de Janeira fecha depois da meia-noite.
eu concordo com ele em tudo! rs
pode-se dizer que madonna é a representação cultural do capitalismo. mas eu queria ver ele dizer tudo isso depois de ter visto as duas datas do show aqui no rio. ela mesma já reconheceu que não é a melhor das cantoras ou das bailarinas, e não é mesmo. mas [e se eu prolongar isso aqui vc vai ler milhares de "mas"], madonna está longe de ser vazia como ele diz; como uma mulher de negócios, além de rock star, madonna não é apenas uma figura da indústria do entrenimento, propagadora de nixons e bushs. não dou a mínima se ela tem fãs e não ouvintes, sei que eu sou ouvinte E fã, e não tenho vergonha alguma de demonstrar isso. até mesmo quando escrevo sobre ela, procuro fazer o que a maioria dos veículos de comunicação não fazem: análise [até mesmo porque ela ainda é uma das poucas que faz coisas que permitem isso].
foram duas horas de show que se passaram como cinco minutos. em momento algum se via alguém pouco interessado no que era apresentado. a mistura de campos como a música, a dança, o teatro, a moda não é uma coisa simples de se fazer e, madonna não é só piorneira nisso, como é o cérebro por trás de toda a produção que a envolve. desde a maneira de se relacionar com seu público, totalmente direta e às vezes até ácida, ao jeito com que reinventou a indústria pop dos anos 80 pra cá.
madonna surgiu numa época em que a crítica ainda era ouvida e ela não só superou muitos contras como dobrou muita gente. suas referências e vocabulário estão longe de 50 palavras, prova que ela sempre esteve e está ligada aos artistas mais importantes de sua época, como o fotógrafo herb hitts e ou o estilista jean-paul gaultier; isso pode não dizer muito pro régis bonvicino ou pra muita gente, mas não há como negar o fenômeno que isso tudo tem sido pra cultura de 25 anos pra cá. desde o início de sua carreira, ela é responsável pela popularização de vários estilos do underground, despontando uma lista extensa de artistas como steven klein e david lachapelle [fotógrafos] e william orbit [produtor musical], que sob suas asas voaram bem alto e em menos tempo do que a maioria.
o problema de grande parte dos críticos, e aparentemente do bonvicino
também, é que eles ignoram a pop art como arte. e madonna é pop art da melhor qualidade - utilizando a indústria do consumo e oq ela proporciona até mesmo para implodi-la e fazê-la rever seus conceitos [vide como até hoje ela reformula o jeito de vender "sexo" - e todo mundo sabe que ela não foi a primeira a fazer isso].[Musique: EXPRESS YOURSELF - Madonna]
A criatura só é um ano mais velha que eu! Dá um pouquinho de inveja vê-la onde está, mas ao mesmo tempo fico deslumbrado com a criatividade e maturidade artística dela. Joanne Stefani Germanotta, ou muito melior, Lady GaGa, tirou seu nome artístico da dramaticidade de Freddy Mercury em Radio Gaga.
Ao ver a expressão de Britney Spears na capa de seu novo álbum, Circus, e ouvindo seu conteúdo, é quase impossível não reparar a interessante ambivalência que ainda é sua vida artística no momento. A foto sustenta uma adolescência semi-ridícula para uma mulher prestes a completar 27 anos, tão evidente que não duvidá-la é quase um lapso de inteligência.
Na faixa-título ela se apresenta como a definitiva crowd-pleaser, a entertainer tão ávida pelo amor de sua audiência que é capaz de manter características de seu passado imaturo porque sabe que é o que você quer ver. Tal comportamento é ouvido em faixas como as baladas Out From Under e My Baby, e em outros momentos como Blur e Mannequin: são boas faixas, mas soam mais como personagens de Gossip Girl posando de maduras que um adulto de fato.