"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

BitchyList

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Colour Me Free!

[English version bellow]

"Acorde um dia, sinta a energia e seja emocional, inspirado e orgânico." Em linguagem twitterística [em até 140 caracteres] é assim que consigo descrever o mais novo álbum de Joss Stone.

Um dia, na casa de shows de sua mãe em Devon [Inglaterra], Joss convenceu seus amigos músicos e produtores a seguir um impulso intuitivo para, além de comporem, gravarem o que se tornaria seu quarto álbum, Colour Me Free!. Há sempre um risco nesse modus operandi, se você não tem a competência para transferir a inspiração para a realidade tudo pode sair uma grande bagunça.

Em "Colour" Joss volta a trabalhar com diversos produtores, mas a diferença essencial entre ele e seus antecessores é justamente a presença mais evidente de Stone. Enquanto em The Soul Sessions [2003] e Mind Body & Soul [2004] ela se revelava na voz e, em Introducing... Joss Stone [2007], se estabilizava com sua persona e versatilidade [mais genérica], tudo isso está presente em "Colour" de forma mais madura e consciente.

[Sempre] Essencialmente Soul, mas às vezes flertando com o Blues como na deliciosa Parallel Lines, Stone impõe os vocais impressionantes ouvidos nos dois primeiros álbuns associados com a produção magistral, sentida no seu mega-hit "Introducing...". A quarta faixa, Lady, pode sintetizar essa idéia: tão instrumentalmente profunda quanto sua rendição de Victim Of A Foolish Heart [The Soul Sessions], a voz de Joss, porém, possui a força e ousadia que só vimos nos delírios de Diva de canções como Girl They Won't Believe It [Introducing...]. Em 4 and 20 a mulher mistura a suavidade musical do Jazz com as vocálizes recitadas do Soul, fazendo uma das mais românticas canções de sua carreira.

Em termos de gênero, "Colour Me Free" pode aparentemente não contribuir muito, já que Joss volta a incorporar sua persona "intérprete"; mas em termos de carreira e sua imposição como artista real e independente, este álbum fez para Joss o que nenhum de seus parentes conseguiu: unir a artista presente e criativa à maravilhosa Diva que Joss Stone nos apresentou ao longo destes 6 anos.

Este é um álbum de fãs e admiradores: há um sentimento que diz que ele não será comercialmente bombástico como Joss pode ser - baseado no que vimos até então; mas certamente ele será lembrado pelos amantes da música.
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"Wake up, feel the energy and be emotional, inspired and organic." In twitter language [140 characters or less] this is how I can describe Joss Stone's latest album.

One day at her mother's music venue in Devon [England] Joss convinced her friends to follow an intuitive impulse to, besides writing, record what would become her fourth album, Colour Me Free! [2009]. There's always a risk at this modus operandi: if you don't have the competence to transform inspiration into reality everything can turn out as a big mess.

In"Colour" Joss returns to work with multiple produces, but the main difference between it and its predecessors is precisely Stone's more evident presence. While in The Soul Sessions [2003] and Mind Body & Soul [2004] she revealed herself with the voice and in Introducing... Joss Stone [2007] she stabilized her [more generic] persona and versatility, all of this is present in "Colour", but on more mature and solid mode.

[Always] Essentially Soul, but sometimes flirting with Blues like in the delightful Parallel Lines, Stone imposes her impressive vocals heard throughout her first two albums combined with the great prodution felt on her mega-hit "Introducing...". The fourth track, Lady, can synthesize this thought: instrumentally as profound as her rendition of Victim Of A Foolish Heart [The Soul Sessions], Joss's voice has however the power and boldness we only saw on her Diva ravings in songs like Girl They Won't Believe It [Introducing...]. In 4 and 20 the woman mixes the Jazz smoothness with Soul spoken vocals, producing one of the most romantic songs from her career.

In terms of genre, "Colour Me Free" might apparently not add much considering that Joss reincorporate her singer side; but as for her career and imposition as a real independent artist, this album does what none of its relatives was able: unite the present and creative artist to the wonderful Diva Joss Stone showed us along these 6 years.

This album is for fans and admirers: there's a feeling it won't be as commercially bombastic as Joss can be - based on what we saw so far; but certainly it will be remembered by music lovers out there.
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O que já foi dito [em tradução livre]:

"Em 'Colour Me Free,' [...] a descoberta britânica está em sua melhor persona blues e soul. O histórico é que Stone andava infeliz com sua gravadora e queria quebrar seu contrato. Porém, cada ressentimento é transformado em canções universais sobre a influência e bagagem do amor." - New York Post

"Sua voz parece causar menos dano, a música (pelo menos até o final do álbum) é forte e suas escolhas em colaborações (Nas, Shiela E, Jeff Beck) são impecáveis. Resumindo, CMF [sic] é melhor do que se espera. Interessante notar, também, que o título do álbum mantém a escrita britânica nos dois lados do Atlântico." - The Independent

"Poucos músicos tiveram uma carreira mais acelerada que Stone [22], a última esperança branca do soul agora vista como vendida, por cortesia de malígnas transformações e competição pós-Winehouse. Este é um decente retorno, que contudo, evita seu aprendizado hip-hop do último álbum, [escolhendo por um direcionamento] mais direto ao soul-funk retrô. Entre referências a Stevie Wonder, Al Green e Dionne Warwick, o que mais impressiona é a voz, que adquiriu ressonância emocional suficiente para se igualar à sua força. Há momentos tediosos [...] mas o suficiente para sugerir que esta diva wannabe é real." - The Guardian/The Observer

[Musique: 4 and 20 - Joss Stone]

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Post Orgasmic Chill

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Nada é o que parece... porque você não observou direito. O que eu faço é magnânimo apenas porque você não consegue ter tudo de cara. Na verdade, cada experiência é única, mesmo que você só me queira para o descanso pós-orgasmico. Each post orgasmic chill is a totally unknown thrill, familiaridadee nova e orgânica.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Well...

... parece que só venho por aqui pra postar coisa sobre ela, mas esse novo vídeo de Lily Allen é LINDO!

De tudo que ela poderia ter feito pra essa música, isso nunca passou pela minha cabeça. O jeito sarcástico de Allen em relação a tudo nessa vida dela é adorável! Quando que alguém pensaria que ela pegaria a futrica com Elton John e transformaria nessa linda fantasia!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"What Kind Of Fuckery Are We?"

O melhor de levar uma vida eclética é poder deliciar-se despreocupadamente com coisas antes rejeitadas.

Diz-se que tudo nos atinge no momento certo; eu sou adepto desta teoria e acho que por isso só agora consigo gostar de Amy Winehouse a ponto de entendê-la. Lucas se apaixonou e Lucas iniciou um relacionamento; a vida é linda e maravilhosa por mais de 80% do tempo.

E tudo agora em Back To Black, o famigerado álbum de 2006, é mais claro e nítido para mim. Desde as letras dramáticas aos vocais rasgados e sentimentais. O mais interessante é que Amy escreveu esse álbum apaixonada e não exatamente com o coração partido; porém ele sempre é presente, porque só quando o amor correspondido é um fato que a iminência do heartbreak aparece em cada esquina... afinal, quanto melhor posicionada a luz, maior a sombra.
Cada discussão, cada fadiga é um motivo para o coração parar por um segundo. A maioria das músicas de Winehouse neste álbum soa como cada momento de eternidade presente neste segundo sem pulsação.

Em outras palavras: todo apaixonado é no fundo um pessimista... todo mundo no fundo goes back to black.
[Musique: Love Is A Losing Game - Amy Winehouse]

sábado, 29 de agosto de 2009

Lady Limítrofe

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Como ser a mais fina e chic das loucas paranóicas e ainda por cima estar certa!!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Lady Cums-In-Your-Face

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Como tirar sarro de si própria e ao mesmo tempo de todo mundo que te critica, elevando-se a gênio fashion, assim como a irreverência musical e o senso de humor.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fazendo a Fama

Alguém hoje me disse que o passado é uma coisa que ainda me restringe muito. Alguém que pode estar dizendo o óbvio, afinal todo mundo tem restrições atreladas ao passado; essa foi minha primeira reação.

Mas então, o negócio bateu na cabeça que não pára e percebi um vazio proveniente de coisas que eu não deixo fluir. Meus entraves não me deixam relaxar e às vezes o presente se desacelera por causa de uma mania por auto-proteção que pode não passar de medo.

E aí, ao entrar no orkut de uma amiga dou de cara com isso:

"fogo artifício, a festa, o drama
quem explode é quem brilha
quem sacode é quem chama
e quem voa é do ar
quem se dá faz a fama
e ama"
Trecho de E Ama, da dupla Luli e Lucinda. Enfim, Lucas precisando relaxar... e não estou falando de férias, mas sim de muito trabalho!
[Musique: E Ama - Luli e Lucinda]

terça-feira, 30 de junho de 2009

Balada do Stalker*: Cliché Pessoal

<--- Little Boots

Sempre que eu tenho algo na vida com o qual fico obsessivo, costumo ter esse cliché pessoal referente às músicas que ouço. Numa espécie de bipolarismo musical eu alterno entre: algo que me deixa bem reflexivo quanto à minha situação e algo que me distrai da melhor forma que há [mais adiante].

Até domingo eu estava numa onda drama-queen apaixonada; começando por Little Boots. Minha nova inspiração ElectroPop foi fruto de uma visita a um blog que vi no Last.fm - o Musique Now. Foi paixão instantânea inspirando idéias para as discotecagens da vida; uma performance de Stuck On Repeat não sai da minha cabeça - algo envolvendo uma máscara espelhada, velcro, uma roupa totalmente branca e projeções fantasmagóricas. No meio tempo o negócio evoluiu para Again Again de Lady GaGa... topo da colina do drama. As coisas, porém, se acalmaram para a doce balada de Boots, Hearts Collide, que me incita um idealismo romântico mas um tanto mais sóbrio.

"Hearts" continua on repeat em meu dia-a-dia, que ainda se passa por viscoso-mas-gostoso com Girls Aloud e todo o romantismo de seu último álbum, Out Of Control; canções como Rolling Back The Rivers In Time, Untouchable, The Promise e The Loving Kind fazem a linha das "letras que descrevem o que a gente sente." Reflita a letra de "Kind": "I want you/To kiss away the tensions/The issues never mentioned/With all the best intentions/But you turn away"... beijosvomitei! *mentira*


Mas agora, do outro lado da moeda, realidade morde minha bunda e... Michael Jackson está morto! Sim, tenho revisitado toda a sua discografia e graças a Jah! A melosidade fantasiosa dá lugar à loucura dos quadris que já pragmatiza setlists com Billie Jean bombando no último volume. Venho reparado também o quão deliciosa e dançante é The Way You Make Me Feel, do álbum Bad, além das bombásticas Black Or White, Don't Stop Till You Get Enough e Off The Wall.

No fundo, apesar da tristeza de sua morte, é na pista que eu adoro MJ. Ele sempre foi um dos maiores entusiastas da terapia do dancefloor, um dos principais filósofos da "cura da dor undeneath the disco lights". Não há melhor remédio, é por isso que prefiro canções que me façam dançar ao invés das depressivas. É por isso que agora eu anseio mais por Remedy [de Boots] no apogeu da pista... ai que saudade da pista!

*A maioria das canções listadas aqui estão na BitchyList no topo do blogo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Time Delay...

Começo a sentir falta de Michael Jackson hoje, quatro dias após sua morte. Tanta coisa tem passado pela minha cabeça desde 12 dias atrás que no meio do turbilhão do feriado a morte dele passou meio que insensivelmente.

Virei fã de MJ há pouco menos de um ano, ainda assim apenas de seus álbuns de 1979 a 1991. Contudo nunca neguei sua genialidade como músico e dançarino, muito menos sua importância para a cultura pop. Mas, ainda assim, ele morreu e tenho estado tão confuso em mim mesmo que o choque não me foi tão intenso quanto imaginaria.

Hoje eu penso nele e sinto um vazio genuíno, uma falta de que algo no meu mundo faz falta. Soa dramático, mas MJ era uma peça importante em minhas referências, seu passado e ações permanecem, mas agora resta o espectro de tudo que ele poderia estar fazendo para o futuro. Hoje, eu prefiro pensar nele e sentir o vazio que o acompanha, do que o vazio de tudo mais que minha confusão auto-absorvida representa.

RIP Michael... eu certamente sentirei sua falta.

[Musique: Black Or White - Michael Jackson]

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Oh Nightmare!

Geralmente conto aqui os sonhos como realidade. Neste caso, porém, o desejo de este não sê-lo é forte. Não apenas porque fora um pesadelo, mas porque algumas das coisas sonhadas são meio difíceis admitir fazerem parte da minha paranóia-nossa-de-cada-dia. O interessante é que ele foi um pesadelo típico, daqueles de acordar no meio da noite exasperado.

Como não blogo diretamente os acontecimentos da minha vida há séculos, apenas com pedaços de horóscopos e sintonias do dia-a-dia, nem adianta explicar todas as personagens do sonho, mas basicamente my big-time crush me dá a egípcia eterna para ficar com o namorado. Desde que a queda voltou, essa é uma realidade, afinal eu continuo solteiro e ele continua namorando; mas isso tem sido bem tranquilo em mim, porque cada coisa tem seu tempo e eu acredito na possibilidade disso.

Mas enquanto eu vivo com o constante fantasma da rejeição, ele se instala nas esquinas mais longínquas da minha cabeça, ou seja: na hora de dormir all hell breaks loose e eu chego a visitar alguns medos que, apesar de nas horas de consciência não serem tão fortes, eles existem apesar de minhas defesas os afastarem - mas e quando eu durmo?

Bem clichêzinho, eu me encontro numa área sombria; pouco depois percebo que era na verdade uma arena onde acontecia o show de um cara que cantava covers acústicos de Kylie Minogue. A antítese já se instala: Minogue é paraíso para mim, mas desde o princípio o clima era tenso e obscuro - eu já esperava um pesadelo.

The crush permanecia com o namorado e o outro aqui lançava tantos olhares para ele quantos ele ignorava. O ambiente se tornava mais escuro enquanto minhas angústias cresciam. Nem mesmo In My Arms amenizava o clima, aliás ela só piorava pois minha vontade de estar perto dele atinge as alturas com essa música.

Acordei! Olhei ao meu redor e ainda era escuro. Em poucos minutos minha consciência processou toda a tensão do sonho, meu supracitado fantasma que é parte real e parte não [porque sei de coisas que relaxam] se fazia presente. Não se pode enganar Mr. Ego e por mais que eu vá à milha extra para manter a chama, ele chuta e grita buscando atenção. Meu coração estava pela boca, mas não hesitei em voltar a dormir - algo me dizia que aquilo ainda se retorcia no meu cérebro e precisava liberação.

Ainda estávamos no mesmo local, mas agora com o fim do show e com bem menos pessoas, o lugar se tornara bem mais claustrofóbico. Por momentos éramos apenas os três numa guerra fria de olhares furiosos, ameaças, gritos e frustrações. The crush faz sua escolha e o filme corta para a casa de uma prima recém-chegada do exterior; inexplicavelmente estavam todos lá, menos o namorado, eu chego à lá Norma Desmond, frio e imponente com meu wayferer vermelho.

Eu havia perdido a guerra para meu ego que agora reagia como um déspota de coração partido. Toda a força da queda pelo garoto se transformara num ressentimento e amargor poderosos que apenas ostentava a parte mais obscura da minha personalidade. O cenário porém era claro, as cores eram suaves em sua maioria, com alguns objetos de cores tão fortes que nem a saturação da fotografia superava: meus óculos vermelhos de raiva e minha bebida chic amarela e amarga.

Agora os olhares eram inversos; the crush desarrumava uma mala (?) [sinalizando, talvez, uma vontade de permanecer apesar de sua escolha] e me observava com olhos de querela, enquanto eu exercia minha tirania ignorando-o por completo. A força do meu ressentimento o apagava pouco-a-pouco do roteiro e, ao mesmo tempo que ele sumia, a amargura abastecia um certo desespero em mostrar uma força e desprendimento que já não existiam.

"Alguém me dá uma bebida! I need a drink!", eu gritava antes de virar meu copo de uísque e eu abrir os olhos tristes e cansados. 8h30, não dormi mais.

[Musique: In My Arms - Kylie Minogue]