"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

BitchyList

terça-feira, 30 de junho de 2009

Balada do Stalker*: Cliché Pessoal

<--- Little Boots

Sempre que eu tenho algo na vida com o qual fico obsessivo, costumo ter esse cliché pessoal referente às músicas que ouço. Numa espécie de bipolarismo musical eu alterno entre: algo que me deixa bem reflexivo quanto à minha situação e algo que me distrai da melhor forma que há [mais adiante].

Até domingo eu estava numa onda drama-queen apaixonada; começando por Little Boots. Minha nova inspiração ElectroPop foi fruto de uma visita a um blog que vi no Last.fm - o Musique Now. Foi paixão instantânea inspirando idéias para as discotecagens da vida; uma performance de Stuck On Repeat não sai da minha cabeça - algo envolvendo uma máscara espelhada, velcro, uma roupa totalmente branca e projeções fantasmagóricas. No meio tempo o negócio evoluiu para Again Again de Lady GaGa... topo da colina do drama. As coisas, porém, se acalmaram para a doce balada de Boots, Hearts Collide, que me incita um idealismo romântico mas um tanto mais sóbrio.

"Hearts" continua on repeat em meu dia-a-dia, que ainda se passa por viscoso-mas-gostoso com Girls Aloud e todo o romantismo de seu último álbum, Out Of Control; canções como Rolling Back The Rivers In Time, Untouchable, The Promise e The Loving Kind fazem a linha das "letras que descrevem o que a gente sente." Reflita a letra de "Kind": "I want you/To kiss away the tensions/The issues never mentioned/With all the best intentions/But you turn away"... beijosvomitei! *mentira*


Mas agora, do outro lado da moeda, realidade morde minha bunda e... Michael Jackson está morto! Sim, tenho revisitado toda a sua discografia e graças a Jah! A melosidade fantasiosa dá lugar à loucura dos quadris que já pragmatiza setlists com Billie Jean bombando no último volume. Venho reparado também o quão deliciosa e dançante é The Way You Make Me Feel, do álbum Bad, além das bombásticas Black Or White, Don't Stop Till You Get Enough e Off The Wall.

No fundo, apesar da tristeza de sua morte, é na pista que eu adoro MJ. Ele sempre foi um dos maiores entusiastas da terapia do dancefloor, um dos principais filósofos da "cura da dor undeneath the disco lights". Não há melhor remédio, é por isso que prefiro canções que me façam dançar ao invés das depressivas. É por isso que agora eu anseio mais por Remedy [de Boots] no apogeu da pista... ai que saudade da pista!

*A maioria das canções listadas aqui estão na BitchyList no topo do blogo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Time Delay...

Começo a sentir falta de Michael Jackson hoje, quatro dias após sua morte. Tanta coisa tem passado pela minha cabeça desde 12 dias atrás que no meio do turbilhão do feriado a morte dele passou meio que insensivelmente.

Virei fã de MJ há pouco menos de um ano, ainda assim apenas de seus álbuns de 1979 a 1991. Contudo nunca neguei sua genialidade como músico e dançarino, muito menos sua importância para a cultura pop. Mas, ainda assim, ele morreu e tenho estado tão confuso em mim mesmo que o choque não me foi tão intenso quanto imaginaria.

Hoje eu penso nele e sinto um vazio genuíno, uma falta de que algo no meu mundo faz falta. Soa dramático, mas MJ era uma peça importante em minhas referências, seu passado e ações permanecem, mas agora resta o espectro de tudo que ele poderia estar fazendo para o futuro. Hoje, eu prefiro pensar nele e sentir o vazio que o acompanha, do que o vazio de tudo mais que minha confusão auto-absorvida representa.

RIP Michael... eu certamente sentirei sua falta.

[Musique: Black Or White - Michael Jackson]

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Oh Nightmare!

Geralmente conto aqui os sonhos como realidade. Neste caso, porém, o desejo de este não sê-lo é forte. Não apenas porque fora um pesadelo, mas porque algumas das coisas sonhadas são meio difíceis admitir fazerem parte da minha paranóia-nossa-de-cada-dia. O interessante é que ele foi um pesadelo típico, daqueles de acordar no meio da noite exasperado.

Como não blogo diretamente os acontecimentos da minha vida há séculos, apenas com pedaços de horóscopos e sintonias do dia-a-dia, nem adianta explicar todas as personagens do sonho, mas basicamente my big-time crush me dá a egípcia eterna para ficar com o namorado. Desde que a queda voltou, essa é uma realidade, afinal eu continuo solteiro e ele continua namorando; mas isso tem sido bem tranquilo em mim, porque cada coisa tem seu tempo e eu acredito na possibilidade disso.

Mas enquanto eu vivo com o constante fantasma da rejeição, ele se instala nas esquinas mais longínquas da minha cabeça, ou seja: na hora de dormir all hell breaks loose e eu chego a visitar alguns medos que, apesar de nas horas de consciência não serem tão fortes, eles existem apesar de minhas defesas os afastarem - mas e quando eu durmo?

Bem clichêzinho, eu me encontro numa área sombria; pouco depois percebo que era na verdade uma arena onde acontecia o show de um cara que cantava covers acústicos de Kylie Minogue. A antítese já se instala: Minogue é paraíso para mim, mas desde o princípio o clima era tenso e obscuro - eu já esperava um pesadelo.

The crush permanecia com o namorado e o outro aqui lançava tantos olhares para ele quantos ele ignorava. O ambiente se tornava mais escuro enquanto minhas angústias cresciam. Nem mesmo In My Arms amenizava o clima, aliás ela só piorava pois minha vontade de estar perto dele atinge as alturas com essa música.

Acordei! Olhei ao meu redor e ainda era escuro. Em poucos minutos minha consciência processou toda a tensão do sonho, meu supracitado fantasma que é parte real e parte não [porque sei de coisas que relaxam] se fazia presente. Não se pode enganar Mr. Ego e por mais que eu vá à milha extra para manter a chama, ele chuta e grita buscando atenção. Meu coração estava pela boca, mas não hesitei em voltar a dormir - algo me dizia que aquilo ainda se retorcia no meu cérebro e precisava liberação.

Ainda estávamos no mesmo local, mas agora com o fim do show e com bem menos pessoas, o lugar se tornara bem mais claustrofóbico. Por momentos éramos apenas os três numa guerra fria de olhares furiosos, ameaças, gritos e frustrações. The crush faz sua escolha e o filme corta para a casa de uma prima recém-chegada do exterior; inexplicavelmente estavam todos lá, menos o namorado, eu chego à lá Norma Desmond, frio e imponente com meu wayferer vermelho.

Eu havia perdido a guerra para meu ego que agora reagia como um déspota de coração partido. Toda a força da queda pelo garoto se transformara num ressentimento e amargor poderosos que apenas ostentava a parte mais obscura da minha personalidade. O cenário porém era claro, as cores eram suaves em sua maioria, com alguns objetos de cores tão fortes que nem a saturação da fotografia superava: meus óculos vermelhos de raiva e minha bebida chic amarela e amarga.

Agora os olhares eram inversos; the crush desarrumava uma mala (?) [sinalizando, talvez, uma vontade de permanecer apesar de sua escolha] e me observava com olhos de querela, enquanto eu exercia minha tirania ignorando-o por completo. A força do meu ressentimento o apagava pouco-a-pouco do roteiro e, ao mesmo tempo que ele sumia, a amargura abastecia um certo desespero em mostrar uma força e desprendimento que já não existiam.

"Alguém me dá uma bebida! I need a drink!", eu gritava antes de virar meu copo de uísque e eu abrir os olhos tristes e cansados. 8h30, não dormi mais.

[Musique: In My Arms - Kylie Minogue]