"...who'd have known, when you flash upon my phone i no longer feel alone"

- Lily Allen

BitchyList

domingo, 6 de dezembro de 2009

Cinema-Sonhos-Sonhos-Woody Allen

Talvez eu seja muito fã de Woody Allen, mas penso que poucos ao meu redor, que convivem com essa fascinação que tenho por ele, realmente dão crédito à sua divertida visão auto-depreciativa, associada às adoráveis referências cinematográficas capazes de fabricar filmes esplêndidos. E, ego aparte, não pode ser uma coisa que só eu percebo, é só procurar variadas críticas e estudos sobre sua filmografia que, talvez, passem a dar mais crédito ao que digo.

Em Memórias [Stardust Memories, 1980], Allen faz o cineasta Sandy Bates, que é ninguém menos que um alter-ego do próprio Woody. Bates, num processo de crise de meia-idade e incrédulo em relação à relevância de seu trabalho até então, tem que passar por um final de semana no Hotel Stardust, onde uma retrospectiva de seus filmes está sendo exibida. Lá, dentre milhares de memórias filmadas felinianamente, suas relações com diferentes arquétipos de mulheres e situações de absoluto nonsense - que são tão Woody Allen quanto cinematicamente sonhadoras, - Sandy revisa sua vida e propósitos, enquanto homenageia o que é provavelmente sua real e principal inspiração: o cinema.

Alguns momentos são diabolicamente pessoais, como uma cena em que Dorrie, uma das namoradas de Sandy - interpretada pela deslumbrante Charlotte Rampling - acusa-o de paquerar com sua prima pré-adolescente. Quem conhece um pouco da vida de Woody Allen é ciente do escândalo entre ele, sua então namorada Mia Farrow e as acusações de pedofilia feitas por ela após encontrar fotos de uma de suas filhas adotivas, Soon-Yi Previn, nua dentre as coisas de Allen. Anacrônicamente pensando, quem conhece a história enxerga a cena como um preview bem irônico do que se desenrolaria na vida de Allen posteriormente.


Mas não são apenas esta e outras deliciosas memórias pessoais, injetadas (ora sutilmente ora nem tanto) no filme, que fazem dele uma jóia rara. A homenagem escancarada a Fellini 8 1/2, com sua fotografia em preto-e-branco e meta-linguagem, é a grande estrela do filme. Amantes do cinema não resistirão às belas montagens, muito menos os amantes do cinema de Allen, que perceberão seu humor ácido em cada diálogo e referência. É verdade que se for analisar friamente, nesta época Allen em diversos filme falava muito sobre as mesmas coisas e pessoas, e muitas vezes da mesma forma. Mas a irônia com que ele trata sua própria visão cria um equilíbrio adorável para suas alfinetadas.

As atuações são lindas, especialmente as femininas. Rampling, que vive Dorrie, a ex-namorada problemática de Sandy e provavelmente seu grande amor, é uma força da natureza, poderosamente linda e sensual; numa das cenas finais de sua personagem, ela dá um show numa sequência de close-ups que parecem ensaios, mas são carregados de esplendor emocional e teatralidade. Jessica Harper, como Daisy, é a representação da busca de Sandy por Dorrie em outras mulheres, enquanto a charmosérrima Marie-Christine Barrault é a mulher completamente diferente das outras e, portanto, o ideal de chance sólida e real no amor. As três, juntas no contexto do filme, incorporam a fascinação de Allen pelas mulheres de seu tempo: talentosas, sofisticadas e tão paranóicas quanto ele.

A trilha sonora também é um espetáculo com clássicos do Jazz como Moonlight Serenade, de Glenn Miller, e uma versão deliciosa de Aquarela do Brasil.

Na sequencia final, foi impossível não me sentir emocionado com a brincadeira que Allen faz sobre seu próprio trabalho, concluindo a deliciosa canção-de-amor à Sétima Arte e, por que não, à sua contribuição a ela. "Memórias" é daqueles filmes essenciais para qualquer cinéfilo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

#NewAlbumFriday

Tirei a tarde de hoje para ouvir uma série de álbuns lançados em 2009, mas que negligenciei ao longo do ano. Alguns acabaram de vazar/ser lançados, outros eu simplesmente optei por ignorar mesmo.


- "Malice N Wonderland" de Snoop Dogg: ÓÓÓÓÓtimo Hip-Hop! Mesmo que ele não faça nada [nada mesmo!] de genial como Jay-Z e/ou Kanye West, suas canções com bases de R&B prontos pra pista são bem divertidos. Note o ótimo trocadilho do título do álbum, além da genial capa

Palavra-Chave: divertido.
Destaque: Different Languages [featuring Jazmine Sullivan], Gangsta Luv [featuring The-Dream], Special [featuring Brandy & Pharrell]
Para: quem gosta de Hip-Hop descompromissado.


- "Wait For Me" de Moby: olha, Moby é um cara que eu sempre evito opinar porque comigo é sempre love it or leave it com ele. Eu adoro algumas coisas, como Early Mornin' - de Britney Spears - e... só, que eu me lembre. Mas como ele é sempre bombado tanto como artista, quanto como produtor, eu fico na dúvida em dizer o que realmente penso. Mas, okay, baixei seu último lançamento solo e putz: BORING! A faixa-intro Division é bem bonita de forma promissora, mas ao longo do álbum tudo sua chato e linear [no mau sentido]: aqueles arranjos de orquestra misturados a uma programação eletrônica aqui/acolá e vocais de cantoras góspel - tããão anos 90! B-O-R-I-N-G!

Palavra-Chave: #MobyIsDead
Para: intelecto-chatos que dizem gostar de Pop e Electronica. Ou donos de loja de decoração que precisam de música para espantar clientes preencher espaço.


- "IRM" de Charlotte Gainsbourg: sempre achei o 5:55 indie demais pra minha paciência, tipo Camille, que todo mundo diz que é Björk, mas no fundo só é chata mesmo. Mas "IRM" é muito bom desde o começo ao fim: mantém a característica indie, mas dá para escutar sem bocejar. Sem contar que o carisma de Gainsbourg aqui é bem mais evidente, especialmente nas últimas faixas mais rockers.

Palavras-Chave: françês, indie-mas-legal
Destaques: Master's Hand, In The End, Me And Jane Doe
Para: acordar depois de uma noite de sexo selvagem e tomar café com o namorado, enquanto se prepara para a rodada matinal.


- "I Dreamed A Dream" de Susan Boyle: The Boyle é DEMAIS! Okay, não... mas sim! A voz dela é linda, apesar do hype insuportável que a mídia tem feito ao redor dela pelo fato de ela fugir do padrão de beleza da indústria. Mas bem ridículo de seus defensores a defenderem por isso. Mas enfim, polêmicas aparte, Susan Boyle tem tudo para ser a próxima Celine Dion, só falta uma música na trilha de um épico blockbuster e ganhador de mil Oscars.

Palavras-Chave: não-lucas-ela-não-tem-síndrome-de-down
Destaques: Wild Horses [ótima abertura], The End Of the World, You'll See [Madonna né benhê!]
Para: beeshas loucas pela nova Celine Dion/Barbra Streisand. Ou o presente de Natal perfeito para sua mãe.


- "For Your Entertainment" de Adam Lambert: por que todo ano tem sempre um American Idol que todo mundo ama, mas que no fundo não tem nada de especial? Okay, vamos aos pontos da minha depreciação a esse Lambert: a) essa capa é HORRÍVEL! Parece uma paródia do filme Manequim dos anos 1980; b) com tanto viado mais interessante nessa vida minha gente, please me digam o que esse cara apresenta de interessante; c) esse álbum é ruim mesmo e pronto; pseudo-Darkness, pseudo-Freddy Mercury - aliás comparar essa criatura a Freddy é uma AFRONTA MORAL! Por fim, a americanada se chocou com a performance no American Music Awards, mas eu sempre digo, no dia que Adam Lambert fizer algo parecido com isso eu penso em respeitá-lo:



Palavras-Chave: viadagem, irritante
Destaques-da-ruindade: If I Had You, Music Again, Sure Fire Winners
Para: emóides que querem ser cool.

[To Be Continued...]

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

As Músicas de 2009 - Top 3 [Finale]

Vamos direto aos 3 pontos.

03. "Sweet Dream"
de Beyoncé

Esse ano, uma das coisas que eu mais gritei disse foi: BEYONCÉ É D-US! Diva ela sempre foi, mas nos primeiros anos de sua carreira solo, sua performance imagética ainda esteve muito relacionada às Destiny's Child.

Analisando a imagem total de sua persona Sasha Fierce, cheguei a tal conclusão: lá estava esta mulher com mais duas backup-dancers, como se Destiny's Child ressurgisse das cinzas, mas [graças a Jah!] não, era só Beyoncé se auto-proclamando a Diva! A fotografia em preto e branco dos três primeiros clipes de Sasha Fierce [Singles Ladies, Diva e Ego] combinava perfeitamente com a imagem divina e espetacular que a personagem possuía.

Ao lançar os dois singles seguintes do álbum [Sweet Dream e Video Phone], Beyoncé voltou às cores, mas usadas com inteligência plástica. Sweet Dream é minha faixa favorita do álbum por sua letra romântica e dramática, mas especialmente por seu vídeo que primeiro fugiu da regra implícita de seus antecessores, trazendo cores ao mundo de Sasha Fierce, porém sóbrias e meio esfumaçadas, como num sonho.

A cena final, em que Fierce se mostra vestida numa armadura, tal como
Metrópolis, pronta para o confronto, ficou marcada em minha mente por dias. Portanto, este ano, Beyoncé se firmou como uma deusa do meu Olimpo pela criatividade imagética que ela construiu ao longo do ano. Que venha 2010 e seus shows no Brasil!

Beyoncé's top 5:
a. Sweet Dream
b. Diva - "take it to another level, no passengers on my plane"
c. Single Ladies - a coreografia mais bombada da década!
d. If I Were A Boy - quem resiste cantar/gritar junto?
e. Halo - vide d.

02. "Sexy! No No No..." de Girls Aloud


Girls Aloud foi meu grande achado do ano. Em instantes me viciei em toda sua discografia e as defendia como ótimas representantes do Pop britânico. A girl-band mais bem sucedida da história foi subestimada por mim durante muito tempo, até que de repente Out Of Control [Fascination, 2008], possuiu meu iPod e minha cabeça. Eu já nem me esforçava, logo me rendi às maravilhosas faixas compostas e produzidas por Xenomania para o grupo. Ao longo de sua carreira, era como se Girls Aloud tivesse se tornado o canal pelo qual o hype grupo britânico de produtores mostrasse sua versátil genialidade.

Mas como parte da minha defesa, as canções de Xenomania não poderiam existir sozinhas e foi justamente a personalidade do grupo que me tornou fã. Ao olhá-las, muitos não conseguem [e nem se importam] em dizer quem é quem, mas talvez seja aí que resida a beleza e longevidade de Girls Aloud. Não parece existir uma luta de egos entre elas, como obviamente existia entre as Spice Girls ou Destiny's Child, e isso para mim foi um fator de apreciação interessante.

Sexy! No No No...
foi o primeiro single do álbum Tangled Up [Fascination, 2007] e a música do grupo que mais me excitou ao longo do ano, apesar de facilmente poder dar lugar a outras jóias como Biology, Call The Shots, Sound Of The Underground e Can't Speak French. A sexualidade despojada, os refrões viciantes e, acima de tudo, as guitarras glamurosas que evocam uma aurea rocker sem deixar de ser BritPop em momento algum.

Girls Aloud's top 5*:
a. Sexy! No No No...
b. The Promise - estilizada à lá big bands dos anos 1960's é simplesmente apaixonante.
c. Rolling Back The Rivers In Time - "can't wait got to his face somewhere"
d. Biology - jóia rara do Pop, construinda em crescendo para um refrão que só explode mais de 1 minuto depois do início.
e. Can't Speak French - "I can't speak French, so I'll let the funky music do the talking now"

*É péssimo ter que escolher apenas cinco faixas. Quem conhece a discografia do grupo entende porque.

01. "Bad Romance" de Lady GaGa

Ano passado Lady GaGa despontava nesta lista na 5a posição, em um ano a mulher não só chegou ao topo de minha apreciação, como ao topo do mundo, sendo eleita já por algumas publicações - com meses de antecipação - como a Popstar do ano.

Em 2009 Lady GaGa se estabilizou como um ícone da Cultura Pop. Tudo soa exasperado - no melhor estilo da era Internet - mas, mesmo que não faça mais nada que preste daqui para frente, GaGa já realizou o bastante para se instalar no panteon do Pop. Desde figurinos extravagantes, que fariam Björk ruborizar, a performances, video-clipes e ensaios fotográficos tão artisticamente interessantes quanto [às vezes] chocantes. GaGa foi, com certeza, a artista que mais causou - porém, da melhor forma: com sua inteligência e arte, não pela vida pessoal. Há tempos as pessoas mais comentadas do ano não se encaixavam na categoria de "artistas de verdade" e, mesmo com a imprensa-marrom se degladiando cada vez mais para publicar a próxima polêmica, Lady GaGa manteve-se longe disso na maior parte do tempo.

Para mim, que já gostava de seu estilo divisor de opiniões, seu primeiro grande feito do ano foi a colaboração com Jonas Åkerlund no vídeo de Paparazzi. Os queixos de todo o mundo caíram diante da perfeição estética do vídeo, até mesmo de quem duvidava de sua genialidade artística. Posteriormente, foi anunciado o relançamento de seu debut The Fame [Interscope, 2008]; contudo, GaGa chutou a premissa oportunista das gravadoras em relançar trabalhos bem sucedidos simplesmente pelo faturamento, para lançar um novo álbum, infinitamente melhor que o antecessor, em diversos aspectos, tanto musicais quanto imagéticos.

Em The Fame Monster [Interscope, 2009], Lady GaGa subverte a temática celebrada em sua estréia [a fama], tomando uma direção mais sombria e reflexiva, chutando a vaidade e o hedonismo cocainados do anterior. Como se não bastasse, ela se supera e produz [desta vez com Francis Laurence] um dos melhores clipes da história e, sem dúvidas, o melhor da década: Bad Romance.

Numa letra genuinamente Pop, com refrões mais-que-grudentos [minha tia de 200 anos - não sei a idade dela - vive cantando oh oh oh oh oh oh...], GaGa fala do amor carnal sem inibições e com um romantismo delicioso; demorei um tempo para lembrar que, em inglês, "bad romance" não se traduz apenas como "romance ruim", mas figurativamente também, "louco romance." Além do mais, ninguém mais até hoje inventou melhores nomes para pênis do que GaGa.

O resto de "Monster" não fica atrás. Nenhuma das nove faixas soa como meros recheios, todas com potenciais imagéticos inspiradores. Alejandro, que à primeira audição soa breguíssima mas revela uma qualidade ABBA impossível de recusar, tem GaGa falando com um sotaque italiano que me remete a ninguém menos que Madonna e sua famosa camiseta Italians Do It Better, mesmo que Alejandro seja hispânico [neste caso, o ser humano italiano em questão é a própria GaGa].

A cada audição, Monster demonstra maior potencial artístico. Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade artística, e apreciador do Pop, pode imaginar milhares de possibilidades para cada faixa do álbum. Isso para um fã [eu mesmo!] causa uma excitante expectativa pelo o que Lady GaGa guarda em suas excêntricas mangas para o ano seguinte.

Lady GaGa's top 5:
a. Bad Romance
b. Paparazzi
c. Alejandro - *think Fellini* "I know that we are young and I know that you may love me, but I just can't be with you like this anymore......... Alejandro!"
d. Telephone [featuring Beyoncé] - "I LEFT MY HEAD AND LEFT MY HEART ON THE DANCEFLOOR!"
e. Speechless - o estilo romântico e dramático que só Lady GaGa é capaz de fazer atualmente.

domingo, 29 de novembro de 2009

As Músicas de 2009 - Top 10 [Parte 2]


Continuando minha revisão musical de 2009, apresento agora a primeira parte das principais canções, da décima à quarta posições, que me enlouqueceram de alguma forma ao longo do ano. Na última parte, o top 3.

10. "Empire State Of Mind" de Jay-Z featuring Alicia Keys/"Love Lockdown" de Kanye West

Em 2009 eu me entreguei por completo ao Rap/Hip-Hop, desde à expressão honesta e urgente de suas letras às batidas, ora repetitivas ora muito bem produzidas. Os nomes principais este ano foram Jay-Z, com seu estupendo Blueprint 3 [Atlantic, 2009], e Kanye West, com as melancólicas batidas e vocais de 808s & Heartbreak [Island Def Jam, 2008].

Em Love Lockdown West canta nos versos, distorcido por um vocoder sombrio, sobre um amor que está tomando um rumo mais obscuro e quase obsessivo, para explodir no refrão com uma batida tão excitante quanto o romântico pedido de sua letra: "now keep your love lock down/ your love lock down!" E é de conhecimento geral o quanto Lucas se derrete por uma boa letra depressiva combinada a um batidão divino.

Jay-Z se juntou a Alicia Keys para construir uma perfeita ode à cidade mais fascinante do mundo. Empire State Of Mind tem um momentum genial por vir numa época em que ninguém já prestava muita atenção em Nova York. Daí Lady GaGa sai do underground novaiorquino e, em Gossip Girl, seguimos as peripécias de jovens residentes do outro lado da "cadeia alimentar" social de Nova York, o milionário Upper East Side.

Jay-Z e Keys, porém, se abstiveram das lutas de classes e cantaram o motivo-mor e unificante de amor à selva de pedra: "In New York, concrete jungle where dreams are made of/There's nothing you can't do/Now you're in New York/These streets will make you feel brand new/Big lights will inspire you/Let's hear it for New York", a vibe global e o sentimento de estar num lugar onde tudo pode acontecer.

09. "Burial" de Miike Snow

Miike Snow é um projeto do cantor/compositor americano Andrew Wyatt em parceria com os gênios da Dance Music contemporânea Christian Karlsson e Pontus Winnberg, ou em outras palavras, Bloodshy & Avant. O que me impressionou neste projeto é o fato de que os inventores de "loucuras da pista", como Toxic e Piece Of Me [Britney Spears], são também capazes de construir perfeitas canções em mid- e downtempo como Burial.

A beleza principal do homônimo álbum de estréia do projeto está em todos os elementos eletrônicos, típicos da tour-de-force dançante que conhecemos das produções anteriores da dupla sueca, mas em tempo muito mais contemplativo e suave: cada detalhe e camada sonora chega e acontece em seu tempo, sem urgência e tranquilos, o que dá um insight interessante sobre o projeto que, apesar de formado em 2007, tomou seu tempo para chegar a obras-primas como esta faixa.


08. "Shark In The Water" de V.V. Brown

A princípio, quando ouvi seu single-debut Crying Blood, julguei V.V. Brown como mais uma na onda retrô popularizada por Amy Winehouse. Mas eu ignorava a frenética excitação dos clássicos grupos Soul das décadas de 1950-60 misturada a sons de video-game.

Na época de lançamento de seu primeiro álbum, Travelling Like The Light [Island, 2009], resolvi dar uma segunda chance à britânica de beleza exótica e me deparei com um álbum apaixonado, mas ultra agridoce. Todas as canções foram inspiradas no processo de término de um relacionamento, o que deu ao álbum de Brown uma forte luz inspirada, apesar de às vezes um tanto ingrato, mas nunca depressivo - apenas cheio de paixões.

Para o meu deleite, Shark In The Water tem as fortes cores do Pop associadas às desconfianças e ciúmes, infundados ou não. A interpretação de Brown é raivosa, contrastando com a idílica e sonhadora sonoridade meio Reggae, mas com refrões e pontes dignos de todo bom Pop. Nos momentos de paranóia amorosa, "Shark In The Water" é daquelas que simplesmente te fazem gritar cantando. DELÍCIA!

07. "Hearts Collide" de Little Boots

Little Boots foi uma das grandes revelações de 2009; seu álbum de estréia [Hands - Sixsevenine, 2009], apesar de não cumprir as expectativas de muitos que acompanharam sua trajetória do YouTube ao contrato com a indústria, é um dos melhores do ano, com canções que são ótimas simplesmente por serem assumidamente Pop. E como letras introspectivas e românticas estão para o Pop assim como elétrons atraem prótons, Hearts Collide com sua vibe de balada, mas espiritualidade dancefloor, me conquistou instantaneamente. A atmosfera eletrônica, casada com vocais épicos e uma letra ultra-romântica logo fez da canção uma favorita do ano.

06. "Lady" de Joss Stone

Joss Stone é uma Diva! E sua competência musical melhora a cada álbum, como escrevi na review de Colour Me Free!.

Em Lady ela lida com um dilema clássico da música Soul: tesão e dignidade. Contudo, esqueça o [suposto] cliché temático e perceba um arranjo tão orgânico que soa como se tivesse sido gravado ao vivo. A voz de Stone é real e tão forte quanto o que se espera de uma Diva do Soul estabilizada; o melhor é que não se pode imaginá-la cantando outra coisa. É emocionante simplesmente ouvir Joss elevar as notas nos pontos certos, sem exagerar como a maior parte das gritadeiras do mundo.

05. "Quicksand" de Britney Spears featuring Lady GaGa

Digam o que quiser de Britney Spears e sua capacidade artística, mas ao longo de seus 10 anos de carreira ela tem sob seu nome algumas das melhores faixas Pop da história, sejam elas singles ou não. Ano passado Britney esteve no meu top 3, o que pode ter influenciado na minha revisita intensa de toda a sua discografia, resdescobrindo jóias como seu terceiro álbum, Britney [Jive, 2001].

Este ano porém ela se estabilizou na 5a posição com sua colaboração com a grande estrela Pop do ano, Lady GaGa. Esta escreveu Quicksand para o álbum Circus [Jive, 2008] de Spears; a faixa tornou-se apenas uma bônus para iTunes, mas deveria ter sido lançada como single. Spears imprime perfeitamente o drama inerente a qualquer faixa composta e produzida por GaGa; com uma batida que, a uma certa distânica, lembra o FunkPop carioca, o melhor mesmo desta canção é, como disse, o drama: da letra aos vocais desesperados. Então, digam o que quiser, Spears sabe entregar boas faixas Pop, mesmo que não faça parte de sua alçada a manufatura delas.

Britney's top 5:
a. Quicksand [featuring Lady GaGa]
b. Toxic - precisa de comentários?
c. Let Me Be - protótipo de power woman com refrão de cantar junto.
d. Stronger - "MY LONELINESS AIN'T KILLING ME NO MORE!"
e. Piece Of Me - depois de Toxic essa é a música ícone de Miss Spears.


04. "Who'd Have Know" de Lily Allen

Lily Allen lançou o primeiro grande álbum de 2009 [na minha opinião]. It's Not Me, It's You [Regal, 2009] recebeu críticas pela escolha de Allen por um ElectroPop mais genérico, mas provavelmente tais críticos não se ligaram à personalidade que Lily é capaz de impor a suas músicas.

Mantendo-se elemental e viva nas melodias, e deliciosamente auto-depreciativa na maioria das letras, Lily Allen mostrou com este álbum que maturidade não vem necessariamente com a idade. Suas idéias são contundentes e muito bem substanciadas, como em Everyone's At It [sobre o uso de drogas] e The Fear [sobre o culto à celebridade], ou às vezes brutalmente honestas, Not Fair [sobre homens perfeitos que trepam mal].

Mas foi na dulcíssima Who'd Have Known que ela me fez derreter. No show que assisti este ano em São Paulo, este foi um dos momentos mais adoráveis, com a pirralhada adolescente ao meu redor cantando do começo ao fim, mesmo que não exatamente entendesse a sobriedade por trás do romantismo. A mim ela lembra Luan; ele não dá a mínima para Lily Allen, nem faz idéia do que diz a letra, mas é ele quem me vem à mente quando ouço.

Lily Allen também produziu alguns dos melhores video-clipes do ano, todos os singles deste álbum renderam vídeos perfeitamente produzidos e o melhor: profundos em conteúdo e estética [reparem as fotografias!], especialmente os de 22 e da faixa que estrela nesta lista.

Lily's top 5:
a. Who'd Have Known
b. 22 - Lady Cums-In-Your-Face
c. Not Fair - homens perfeitos, mas que não trepam bem
d. Everyone's At It - "de políticos crescidos a jovens adolescentes (...): todo mundo usa!"
e. Fuck You - aos retrógrados e intolerantes de plantão





[Continua...]

sábado, 28 de novembro de 2009

As Músicas de 2009 - The Bubbling-Under [Parte 1]


Desde o ano retrasado faço exatamente um top 20 das músicas que marcaram meu ano. O Bubbling-Under consiste nas dez primeiras posições da lista, mais Menções Honrosas, canções/artistas que ferroaram em algum momento ou motivo [mas não necessariamente um período] ou que têm potencial para o ano que vem.

2009 foi um ano maravilhoso na música! No cenário Pop mundial tanta coisa e artistas incríveis aconteceram que minha maior dificuldade foi lembrar de tudo. Graças a Jah existe last.fm. Ainda assim, há muita coisa que não consta na lista oficial - apesar de sempre se dar um jeito de incluir mais gente.

Um ano super heterogêneo, algumas das figuras carimbadas do top 20 não constam este ano, ou assumem posições inferiores ao habitual. Há um presença masculina maior este ano e, apesar de o Pop ser my hot hot sex, Jazz, Hip-Hop e R&B me pegaram pelas bolas.
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Menções Honrosas:

- "Like A Drug" de Kylie Minogue: porque aquela caveira gigante será artigo de decoração da minha mansão.

- "Fight For This Love" de Cheryl Cole: pop viciante, mas recheado de carisma. Cantar isso enquanto se dirige é ótimo.

- "The Distance Between Us" de Sophie Ellis-Bextor: basicamente por este motivo.

- "Love Long Distance" de Gossip: dolorida, yes! destruída, JAMAIS! O feeling de pista mil-novecentos-e-noventista que esta faixa tem é sensacional.

- "Itapoã" de Caetano Veloso: primeiras lágrimas compartilhadas num romance real.

- "Concrete Jungle" de Bob Marley: prova do "nunca diga nunca". Nunca gostei de Reggae, nunca gostei de Bob Marley e de repente em algum momento do ano era tudo o que eu escutava e dançava.

- "Try Sleeping With A Broken Heart" de Alicia Keys: uma das maiores estrelas da minha constelação, Alicia Keys raramente me decepciona. Esta balada é linda como qualquer uma de Keys, apesar do clipe meio bocó e de péssimos efeitos especiais.
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The Bubbling-Under:

20. "But Not For Me" de Chet Baker/"Chasing Pirates" de Norah Jones

Norah Jones geralmente nunca me surpreende de forma negativa, mas ao ouvir seu quarto álbum, The Fall [Blue Note, 2009], eu senti falta de seu adorável piano. Mas em pouquíssimo tempo Chasing Pirates e suas sucessoras me cativaram com suas guitarras de aurea rock-edgy.

Minha amiga Tam Chéquer me recomendou Chet Baker numa fase em que ansiava por mais daquele all that Jazz. Sua voz de timbre suave logo me ganhou pelo romantismo que é capaz de imprimir em suas faixas. Baker remete à máxima: jazz-café/vinho-casal.

19. "Cangote" de Céu

Em seu segundo álbum Vagarosa [Universal Brasil, 2009], a deliciosa Céu se restringiu ao Reggae e ao Dub. Com arranjos vocais pra lá de apaixonantes, Cangote é uma das mais bonitas canções de amor do ano, perfeita para momentos transcendentais.

18. "Lilac Wine" de Jeff Buckley

Fevereiro para Lucas é igual a inferno astral. Então não é surpreendente que a melancolia etérea de Jeff Buckley, não só nesta música mas como em toda a sua [infelizmente] curta discografia, me cativou neste mês.

17. "Obsessed" de Mariah Carey

O que mais adoro em Mariah Carey é que ela se acha. Convenhamos: ela é brega, chata pra caralho e irritante com suas vocalizes mais estridentes que solos de guitarra dos anos 1960; mas o fato de ela se achar a última bolacha do pacote é uma comédia! Obsessed é daquelas faixas de Mariah que não acrescentam sua vida em nada, a não ser a oportunidade de dar umas risadas com um refrão grudento. Nisso Mariah é mestre!


16. "Courage" de The Whitest Boy Alive

Geralmente resistente a esses Indiesmos atuais, o projeto paralelo de um dos caras do Kings Of Convenience, Erlend Øye, me tomou de surpresa. Dançante mas suavemente harmonizado, o álbum Rules [Bubbles, 2009] tocou em repeat no iPod por quase um mês inteiro. Canções calmas, mas cheias de groove, como Courage, não saíram da minha cabeça por um período de limbo emocional, quando o máximo que podia fazer era esperar o start alheio. Apesar de a vida ter me posto em caminhos melhores, eu ainda guardo um carinho especial por esta canção e o que ela representou por um tempo.

15. "Gimme Some" de Nina Simone

Nina Simone sempre me lembra o adorável filme Antes do Pôr-do-Sol e este ano, finalmente, me permiti deliciar com a persona incrível e hipnotizante que foi essa mulher. Procure e assista no YouTube e te desafio manter-se impassível a seu carisma e beleza singular. Esta canção, em específico, está aqui pela safadeza que é a letra.

14. "Didn't Cha Know" de Erykah Badu

Um dia eu estava assistindo MTV na casa de uma amiga e meu estado de consciência estava um tanto alterado [YES aham!], eis que de repente uma louca me surge com um clipe lindo e psicodélico: Erykah Badu com Honey. A partir daí virei fã e fui atrás de toda a discografia de Badu.

Didn't Cha Know é daquelas clássicas faixas que lidam com as adversidades que a vida impõe, especialmente quando são as próprias escolhas que nos fazem deparar com certos dilemas. Este tipo de poética sempre me é agradável, mas no caso de Badu foram as camadas de vocais e a orgânica produção ao redor da batida R&B que me conquistaram, não só nesta faixa como em todo o álbum Mama's Gun [Motown/Puppy Love, 2000].

E no final há apenas a clássica mensagem de que:

"Love is life, and life is free/Take a ride on life with me/Free your mind and find your way/ There will be a brighter day"

13. "Everyone Nose" de N.E.R.D

Irreverente, mas, acima de tudo, DIVERTIDA! Em Everyone Nose, Pharrell Williams e Chad Hugo tiram sarro das carreiristas de plantão em Hollywood. Como carreirista entende-se as garotinhas lindas que fazem filas nos banheiros dos clubs para usar mais que pias de mármore que os espelhos, para se recauchutarem. O melhor de tudo é: excitante, neurótica e acelerada como uma onda de cocaína.


12. "Anthonio" de Annie

Era uma vez, uma garota chamada Annie que caiu na lábia de um amante brasileiríssimo e alguns anos depois achou divertido falar sobre o assunto. O resultado foi uma faixa ElectroPop de atmosfera épica que atestou mais uma vez o quão genial Annie é em seu estilo.

É uma pena que ao finalmente lançar o maravilhoso Don't Stop, ela tirou algumas das melhores faixas da versão que nunca viu a luz do dia, como I Know UR Girlfriend Hates Me e I Can't Let Go; e, inclusive, a jóia rara que é Anthonio.

11. "Rock With You" de Michael Jackson/"Celebration [Benny Benassi Remix Edit]" de Madonna

Madonna esteve presente por todo o meu ano, simplesmente porque D-us sempre é presente. No meio do segundo semestre sua nova coletânea foi lançada e Celebration logo se tornou um hino dentre os amigos, especialmente o remix do Benassi, muito mais vibrante que a produção original do Paul Oakenfold.

No mês em que Michael Jackson morreu, parte do mundo parou em choque, e outra parte, mesmo chocada, se jogou na pista de dança, onde ele ainda era rei absoluto. Obviamente faço parte do segundo grupo. Se na mídia ele era tratado como uma persona non-grata, indubitavelmente nas pistas o mundo AMA Michael Jackson. Rock With You embalou alguns dos momentos mais sublimes deste ano: auroras conquistenses intensamente românticas que casavam perfeitamente com as implícitas luzes de pista desta canção clássica.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

I WANT YOUR BAD ROMANCE!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

@lindsaylohan LADY GAGA IS F*)K!NG EP!C !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Lindsay Lohan escreveu em seu twitter [ @lindsaylohan ] recentemente:

"@ladygaga OBSESSED WITH YOUR NEW VIDEO! you've just become epic in my book **"

Só agora compreendi muito bem o que ela quis dizer, talvez até o que ela tenha sentido de tão épico no video de Bad Romance. Nas minhas notas sobre o video mencionei a semelhança com o filme Entrevista Com O Vampiro [1994], baseado no romance homônimo de Anne Rice.

Porém hoje tive uma abstração bem diferente e consegui finalmente captar a linha litero-cinemática de "Bad Romance"; Lady GaGa realmente tem retornado aos primórdios das grandes produções em vídeo-clipe - grandes produções, não apenas produções grande$. Assim como em Paparazzi ela conta uma história coerente e coesa apenas com imagens, reunificando a técnica impecável à substância que transcende a leitura superficial.

O que sempre foi mais complicado num clipe é justamente a história a se contar. Não há diálogos em letras de música, nem elas podem se dar ao luxo de uma narração prosáica.

A partir dos anos 80, com o advento da MTV, o video-clipe passou a se desenvolver como uma uma ferramenta artística da Cultura Pop. A música invadia a TV como protagonista e necessitava de um tanto mais de profundidade em seu dicurso imagético. Pode-se dizer que realmente "o vídeo [clipe] matou a estrela de rádio" porque agora a música se tornava [também] um áudiovisual. As grandes lendas dessa época são obviamente, Madonna e Michael Jackson. Com o tempo a indústria passou a se importar preocupar menos e a cultura caiu na preguiça dos vídeos de showroom de popstars, a maioria sem um pingo de inspiração, pois suas estrelas nunca tinham muito mais a dizer do que seus diretores e managers.

Eis que do underground novaiorquino surge Lady GaGa que em pouquíssimo tempo chegou ao topo das grandes produções da indústria [yes, to falando de vendagens]. Tem gente que diz que ela DEU MUITO duro; eu digo "e daí?" Agora que ela está no pico de seu momentum publicitário, Lady GaGa mostra ambiciosamente sua profundidade artística.

Lindsay Lohan provavelmente sacou as proporções épicas de "Bad Romance" por ser uma ótima atriz, apesar da loucura de sua vida de celebridade. Eu provavelmente percebi o que La Lohan quis dizer, por gostar de ver além do culto à celebridade.

"Bad Romance" tem um prólogo, que é superior ao de "Paparazzi" [em padrões de vídeo-musical], por ele não ter pouco mais que 12 segundos; princípio, meio e fim concretos, e muito bem executados pela magistral direção de Francis Lawrence, capaz de unir a intricada visão de GaGa com toda a técnica que as grande$ produções podem comprar.

Prólogo

Como uma gueixa über-futurista GaGa dá a volta por cima da perda forçada da inocência pela prostituição, utilizando-a a seu favor - mostrando que é possível ralar a bunda [trocadilho intencional] para se chegar ao topo e manter a dignidade que transcende a moralidade.


Inocência

A personagem de GaGa aceita sua posição e nela decide apostar tudo. Ela exige o amor e atenção de todos sem máscaras, apesar da maquiagem extravagante. O festival de figurinos bizarros não são meros patrocínios ou favores de grifes como Dolce & Gabbana e Alexander McQueen; aliás, essas grifes não precisam desse tipo de promoção - seus mentores criativos se inserem no setor como oportunidade de imortalizarem sua arte na cultura. [Quem nessa vida pós-1980 não tem uma imagem mental do sutiã de cone de Jean Paul Gaultier?].

Contudo, GaGa subverte a dicotomia "amor" é "ódio", acrescentando a ambos a vingança: ao assumir sua condição e utilizá-la a seu favor, a gueixa vampírica revela sua monstruosidade, que você jamais poderá condenar pois ela deixa clara sua participação nisso. E ao mesmo tempo, você não se sente culpado em querer mais.


Rendição


Reviravolta



Monstro [I'm a free bitch baby!]



Estratégia



Vigança

Na conclusão do post anterior, disse que não havia uma peça de exagero contida nesse vídeo que fosse desnecessária; fato que se conecta com as proporções épicas evidenciadas por Lindsay Lohan. Quer saber porque tudo isso faz sentido?

Pergunte aos grandes épicos como, ...E O Vento Levou e Titanic, se é possível existir sem vestidos de cortina e colares de diamantes raros. Pergunte a épicos, como Austrália, se é possível contar uma história sem afetação e saltos barrocos. Pergunte a "Entrevista Com O Vampiro" se Kirsten Dunst poderia ser tão genial sem tanto DRAMA!